EFE/Jim Lo Scalzo
EFE/Jim Lo Scalzo

Trump diz estar disposto a se reunir com líder norte-coreano sob 'circunstâncias adequadas'

Em entrevista ao site 'Bloomberg', presidente americano afirmou que ficaria 'honrado' em seu reunir com Kim Jong-un; nesta segunda, Pyongyang afirmou que acelerará seu programa nuclear em resposta à pressão dos EUA

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2017 | 14h54
Atualizado 01 Maio 2017 | 20h09

WASHINGTON - Donald Trump disse neste domingo, 1.º de maio, que se sentiria “honrado” em encontrar o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, “sob as circunstâncias corretas”, em meio à escalada de tensão com Pyongyang por seus reiterados testes de mísseis e seu programa nuclear. No fim de semana, o presidente americano havia elogiado a capacidade de liderança e sobrevivência do líder do país mais fechado do mundo, a quem se referiu como um “jovem sagaz”.

Diante de uma enxurrada de críticas às declarações aparentemente amigáveis a Kim, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que não vê possibilidade de um eventual encontro ocorrer no futuro próximo. “Nós temos de ver o seu comportamento provocador ser revertido de maneira imediata”, afirmou. “Claramente, as condições não existem no momento.”

Trump abriu a possibilidade de contato direto com Kim em entrevista à agência de notícias Bloomberg. “Se for apropriado para mim encontrar com ele, eu me sentiria honrado em fazer isso”, disse o presidente. “Se for sob as circunstâncias corretas. Mas eu faria isso.”

A escalada de tensões na Península Coreana se tornou uma das principais ameaças em matéria de segurança para Trump, que completou nesta 100 dias como presidente no sábado. As palavras de Trump ocorrem depois que o regime norte-coreano assegurou nesta segunda que impulsionará "a velocidade máxima" seu programa nuclear, em resposta à crescente pressão exercida sobre o país por parte de Washington.

A Coreia do Norte sempre quis uma negociação direta com os Estados Unidos para colocar um fim formal à Guerra da Coreia (1950-1953). O conflito terminou com um armistício, o que significa que tecnicamente os países continuam em guerra, apesar do cessar fogo de mais de seis décadas. 

Até agora, os EUA se opuseram a conversas diretas com Pyongyang, preferindo o formato da negociação multilateral, abandonada em 2009. Spicer justificou o uso do termo “honrado” por Trump com o fato de Kim Jong-un ser “ainda” um chefe de Estado.

Na sexta-feira, o secretário de Estado Rex Tillerson disse na Organização das Nações Unidas (ONU) que os EUA só negociarão com o regime norte-coreano se Pyongyang der passos concretos para abandonar seu programa nuclear. Pouco depois da declaração, a Coreia do Norte realizou mais um teste de míssil balístico. 

A situação do país foi discutida por Trump em um telefonema no sábado ao presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, a quem o americano convidou para visitar a Casa Branca. Neste domingo, o filipino disse não saber se aceitará o convite, por estar com a agenda cheia. 

“Eu não posso fazer nenhuma promessa definitiva”, afirmou Duterte, acusado de ordenar massacres em medidas de combate ao tráfico de drogas. Milhares de pessoas foram mortas no último ano durante esses programas. “Eu devo ir à Rússia. E também devo ir a Israel.”

Em um tuíte ao presidente dos EUA, o vice-diretor para a Ásia da Human Rights Watch, Phelim Kline, lembrou que Duterte pode ter praticado crimes contra a humanidade. “Países que têm relações bilaterais com as Filipinas, particularmente os EUA, têm a obrigação de exigir responsabilização pelas vítimas da abusiva guerra às drogas de Duterte, em vez de estender o tapete vermelho para visitas oficiais.”

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