AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

Trump recua em sua proposta de aumentar idade mínima legal para comprar armas

Presidente ressaltou que a capacidade para a mudança está nas mãos dos 50 Estados americanos e não do governo federal

O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 01h31
Atualizado 13 Março 2018 | 09h32

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou na segunda-feira 12 em sua proposta de aumentar de 18 para 21 anos a idade legal para comprar algumas armas. A decisão representa uma concessão ao poderoso lobby armamentista da Associação Nacional de Rifles (NRA).

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Trump insistiu em sua conta no Twitter em seu plano para armar professores e considerou que a capacidade de aumentar a idade legal para comprar armas está nas mãos dos 50 Estados do país, e não do governo federal, em razão do pouco apoio político que a medida ganhou no Congresso.

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Sob a lei federal dos EUA, a idade mínima para comprar uma arma de fogo são 21 anos se for uma pistola e 18 se for um rifle, embora alguns vendedores sem licença as vendam para pessoas mais jovens.

A Flórida, que sofreu em fevereiro um terrível ataque a tiros em uma escola, aprovou na semana passada uma lei para aumentar a idade mínima para comprar armamentos. Em resposta, a NRA apresentou um processo no qual acusa o Estado de violar o direito constitucional de possuir e portar armas.

"Nos limites de idade de 18 a 21 anos, estamos atentos aos casos nos tribunais e às suas sentenças antes de atuar. Os Estados estão tomando esta decisão. As coisas estão se movimentando rapidamente nisto, mas não há muito apoio político (para dizer suavemente)", escreveu Trump na rede social.

O magnata, que durante a campanha presidencial de 2016 recebeu o apoio da NRA, prometeu que tomaria medidas para acabar com os ataques a tiros nas escolas depois que no dia 14 de fevereiro Nikolas Cruz, de 19 anos, matou 17 pessoas em um colégio em Parkland, na Flórida.

Em resposta à tragédia, a Casa Branca divulgou seu plano para reforçar a segurança nas escolas, que inclui treinamento para armar alguns professores e a melhoria do sistema de antecedentes penais, mas evita proibir a compra de determinadas armas até os 21 anos.

Segundo o projeto, o Executivo começará a trabalhar com os Estados para dar um "treinamento rigoroso sobre o uso de armas" aos professores e aos demais funcionários das escolas que se ofereçam como voluntários, de acordo com representantes do governo. A medida de armar os professores foi formulada por Trump pouco depois do massacre em Parkland e conta com o apoio da NRA.

"Atualmente, o enfoque principal do presidente está naquelas coisas que podem ganhar um amplo apoio bipartidário ou que se pode fazer imediatamente. Mas isso não significa que tenhamos deixado de lado outras coisas", comentou Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca.

O Congresso não aprova nenhuma lei para restringir a posse de armas há mais de duas décadas e os Estados são os únicos que aprovaram medidas nesse setor nos últimos anos.

Os EUA são o país que mais tem armas de fogo per capita, já que quatro em cada dez cidadãos dizem ter uma arma ou viver em uma casa com armas, segundo um estudo de 2017 do Pew Research Center. O instituto estima que o número de armas no país está entre 270 milhões e 310 milhões. / EFE

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