EFE/Ron Sachs **POOL**
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Trump diz novamente que tortura de suspeitos é eficaz

Presidente garante que deixará decisão sobre o uso da técnica para chefes da CIA e do setor de Defesa

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2017 | 21h07

Defendendo a necessidade de os EUA combaterem “fogo com fogo”, o presidente Donald Trump disse ontem acreditar na eficácia do uso da tortura de suspeitos de atos terroristas, mas ressaltou que deixará a decisão sobre o assunto para os comandantes da CIA e do Departamento de Defesa.

A declaração foi dada no momento em que seu governo revê a estratégica americana de combate ao terror e estuda a possibilidade de resgatar procedimentos adotados depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. As práticas foram banidas após a revelação de uma série de abusos e violações de leis internacionais.

Segundo o New York Times, o governo de Trump deverá anunciar hoje a suspensão temporária da entrada no país de refugiados de Síria, Iraque, Irã, Sudão, Líbia, Somália e Iêmen. Além disso, o governo deverá reduzir de 110 mil para 50 mil o número total de refugiados que os EUA recebem do restante do mundo a cada ano. Meios americanos previam para ontem essa medida. 

Ainda de acordo com o jornal, o governo também analisa a retomada do uso de prisões clandestinas pela CIA e o restabelecimento do que é conhecido pelo eufemismo “técnicas de interrogatório reforçadas”, que incluem simulação de afogamento, privação do sono e tortura psicológica.

Os abusos cometidos pela estratégia de combate ao terror foram revelados em um relatório de mais de 500 páginas divulgado em dezembro de 2014 pelo Comitê de Inteligência do Senado. O documento descreveu vários casos de uso de tortura por agentes da CIA em prisões clandestinas ao redor do mundo.

Em entrevista à rede de TV ABC, Trump disse ter perguntado a seus assessores de segurança se a tortura funciona. “E a resposta foi sim, absolutamente”, afirmou o presidente, que defendeu o uso da tortura durante a campanha eleitoral. Mas ele ressaltou ontem que pretende respeitar os limites estabelecidos pela lei.

Na mesma data em que Trump lançou sua candidatura – 15 de junho de 2015 – o Senado aprovou uma lei que proíbe o uso de “técnicas de interrogatório reforçadas” pelo Exército ou qualquer outra agência do governo. Se tentar modificá-la, Trump enfrentará resistência dentro do próprio partido. “Nós não vamos trazer a tortura de volta para os Estados Unidos”, afirmou o senador republicano John McCain, que sofreu tortura quando foi prisioneiro de guerra no Vietnã. 

 

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