AFP PHOTO / SAUL LOEB
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Trump diz que Alemanha ‘deve dinheiro’ aos EUA

Em menos de 24 horas, agressiva diplomacia do presidente americano causa atritos com três potências globais, sendo dois aliados históricos

O Estado de S. Paulo

18 de março de 2017 | 17h49

WASHINGTON - Em 24 horas, Washington causou atrito com três potências globais. Pelo Twitter, o presidente Donald Trump disse neste sábado, 18, que a Alemanha “deve dinheiro” aos EUA. Na sexta-feira 17, a Casa Branca já havia irritado o governo britânico com acusações de espionagem. Na China, o secretário de Estado, Rex Tillerson, foi obrigado a ouvir ontem uma advertência de Pequim sobre a Coreia do Norte. 

O capítulo mais estranho da agressiva diplomacia de Trump ocorreu logo pela manhã, quando o presidente tuitou que a “Alemanha deve grandes somas de dinheiro à Otan” e disse que Berlim deveria pagar mais pela defesa “poderosa e cara” que os EUA fornecem ao país. O novo rompante no Twitter ocorreu um dia depois de o presidente ter uma reunião com a chanceler Angela Merkel, na Casa Branca, classificada por ele como um “grande encontro”.

Na reunião, Merkel reconheceu que a Alemanha deveria aumentar seus gastos militares. Segundo ela, o país gastou 8% a mais em defesa no ano passado e estaria comprometido a atingir a meta de 2% do PIB até 2024. O governo alemão, no entanto, não se pronunciou neste sábado, após os tuítes de Trump.

Outro aliado insatisfeito é a Grã-Bretanha. Nos últimos dias, o governo americano vem afirmando que o serviço secreto britânico ajudou o então presidente Barack Obama a espionar o magnata durante a campanha presidencial. Londres disse que as acusações são “ridículas” e teria exigido um pedido de desculpas. Na sexta-feira, porém, a Casa Branca negou qualquer retratação e voltou a repetir a mesma acusação. 

Congressistas republicanos e democratas, a Agência de Segurança Nacional (NSA), o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA não encontraram até agora qualquer evidência que corrobore as acusações de Trump.

Como se não bastasse o mal-estar com dois aliados históricos, Washington protagonizou ainda um novo atrito diplomático com outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU: a China. Ao chegar a Pequim, na sexta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, ameaçou a Coreia do Norte com uma ação militar. 

“A política de paciência estratégica acabou. Estamos explorando um novo leque de medidas de segurança”, disse Tillerson. “Se eles (o regime norte-coreano) elevarem a ameaça do seu programa nuclear para um nível em que uma ação seja necessária, esta opção não está descartada.”

Neste sábado, o governo chinês deixou claro que não é bem assim. Após uma reunião de duas horas com o chanceler chinês, Wang Yi, o secretário de Estado ouviu uma advertência contra qualquer ação militar na Península Coreana. Segundo Yi, os EUA deveriam “esfriar a cabeça” e “voltar ao caminho correto de um acordo negociado” com Pyongyang. Hoje, Tillerson se reúne com o presidente Xi Jinping para discutir novas sanções a empresas que operam na Coreia do Norte. / REUTERS e AP 

 

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