AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

Trump tenta livrar governo saudita de culpa por morte de jornalista dissidente

Presidente americano afirma ter conversado com rei saudita, que lhe disse não ter nenhum conhecimento sobre o crime; 'NYT' diz que Riad trabalha em teoria para eximir reino de culpa

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2018 | 16h12
Atualizado 16 de outubro de 2018 | 17h31

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu nesta segunda-feira, 15, a possibilidade de o jornalista saudita dissidente Jamal Khashoggi, que vivia nos EUA, ter sido realmente morto, mas por assassinos que agiram sem o conhecimento ou a autorização do governo da Arábia Saudita. Trump anunciou o envio de seu secretário de Estado, Mike Pompeo, para se reunir com o rei Salman, que assegurou ao americano não estar envolvido no caso. 

A teoria levantada por Trump, segundo o jornal New York Times, foi repetida separadamento por uma pessoa familiarizada com os planos do reino de um culpar funcionários do serviço de inteligência e proteger o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman da responsabilidade pelo crime. 

A TV americana CNN, citando duas fontes cujos nomes foram mantidos em sigilo, afirmou ainda hoje que a Arábia Saudita está preparando um relatório no qual admite que o jornalista foi morto como resultado de um interrogatório que deu errado. A versão, segundo uma das fontes, ainda estava sendo elaborada e poderia mudar.

A outra fonte disse que o relatório deve concluir que a operação foi conduzida sem autorização de Riad e os envolvidos serão responsabilizados pela morte. Fontes do governo da Turquia disseram que Khashoggi foi assassinado dentro do consulado e seu corpo, removido. 

A declaração de Trump sobre o caso foi feita  na Casa Branca após uma conversa por telefone com o rei Salman. Aos jornalistas, Trump disse que a negativa do rei “não poderia ter sido mais forte” e, para ele, o crime pode ter sido cometido por “assassinos não autorizados”. “Quem sabe?”, questionou Trump. 

Pela manhã, em sua conta no Twitter, o presidente dos EUA já havia afirmado que seu secretário de Estado, Mike Pompeo, vai viajar "imediatamente" para Riad, capital da Arábia Saudita, para se reunir pessoalmente com o rei.

Na manhã desta segunda, Salman ordenou uma investigação interna sobre o sumiço de Khashoggi. Uma equipe turco-saudita fez uma busca no consulado. Segundo o jornal britânico The Guardian, porém, os turcos somente foram autorizados a entrar no prédio depois que uma equipe do consulado, acompanhada de um time de limpeza equipado com rodos, baldes e desinfetantes esteve no local. 

Os investigadores turcos chegaram em um carro preto sem insígnias e não fizeram comentários a jornalistas que aguardavam do lado de fora. À noite, um caminhão chegou à representação acompanhado por um carro da polícia com placas de Ancara.

A tímida resposta americana tem razões econômicas. Em 2017, Trump anunciou um contrato de US$ 110 bilhões de venda de armas e equipamentos para a Arábia Saudita. Especialistas dizem ainda que, embora os EUA não sejam mais tão dependentes do petróleo saudita, as empresas de tecnologia no Vale do Silício recebem hoje bilhões de dólares de investimentos de Riad. / NYT, REUTERS, EFE e AFP 

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