Dana Edelson|NBC via AP
Dana Edelson|NBC via AP

Trump diz que banir muçulmanos dos EUA espelha políticas da 2ª Guerra

Trump recebeu uma reação generalizada à sua ideia de proibir a entrada de muçulmanos nos EUA; Casa Branca diz que comentário o desqualifica de concorrer à presidência

O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2015 | 17h28

WASHINGTON - O pré-candidato presidencial republicano mais bem colocado nas pesquisas, Donald Trump, comparou nesta terça-feira, 8, sua proposta de proibir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos a políticas da 2ª Guerra implementadas pelo presidente Franklin D. Roosevelt contra descendentes de japoneses, alemães e italianos.

"O que estou fazendo não é diferente de FDR", argumentou Trump no programa Good Morning America, do canal ABC, uma das várias entrevistas acaloradas nas quais defendeu seu plano na esteira do ataque da semana passada na Califórnia realizado por dois muçulmanos que se radicalizaram, segundo autoridades.

"Não temos outra escolha além de fazer isto", afirmou o empresário, que busca a indicação republicana para a eleição presidencial de 2016. "Temos pessoas que querem explodir nossos prédios, nossas cidades. Temos de descobrir o que está acontecendo."

Trump, porém, admitiu que as políticas de Roosevelt foram piores. Durante a 2ª Guerra,  mais de 110 mil pessoas foram detidas em campos do governo americano. Roosevelt emitiu a política logo depois que os japoneses atacaram Pearl Harbor em 1941, autorizando agentes de segurança a alvejar "inimigos estrangeiros".

Críticos alertaram que o plano de Trump rejeita valores do país selecionando pessoas por sua religião, o que provavelmente também seria ilegal e inconstitucional. A Primeira Emenda da Constituição dos EUA garante liberdade de culto. 

Trump recebeu uma reação generalizada à sua ideia de proibir a entrada de muçulmanos nos EUA, que foi de seus rivais políticos a líderes internacionais. A Casa Branca comentou as declarações e afirmou que elas “desqualificam” Trump de se tornar presidente dos EUA, segundo seu porta-voz, Josh Earnest. Quase todos os aspirantes democratas e até mesmo os republicanos à presidência americana rejeitaram a proposta

Também pelo Twitter, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou estar “indignado” com a declaração. “O sr. Trump, igual a outros, alimenta o ódio e as generalizações: nosso único inimigo é o islamismo radical”, escreveu. 

A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, afirmou que os comentários de Trump põem em perigo o programa de acolhida de refugiados sírios nos EUA. 

Até mesmo a famosa escritora J.K.Rowling comentou. “Que horrível. Voldemort não era tão mau”, disse, em alusão ao vilão de sua saga sobre o bruxinho Harry Potter. / EFE, REUTERS e AP 

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