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Trump diz que Ben Carson precisa explicar alguns pontos de sua história

Republicano afirmou que rival deve esclarecer sua época na academia militar de West Point e as lembranças de sua juventude

O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2015 | 18h24

WASHINGTON - O pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos Donald Trump disse neste domingo, 8, que o rival Ben Carson teria que explicar alguns pontos sobre sua época na academia militar de West Point e as lembranças da juventude. "Ele terá que explicar muitas coisas", disse Trump ao programa "Meet the Press", da NBC.

Carson, favorito dos ativistas conservadores, está empatado com Trump na liderança das primárias republicanas, a um ano das eleições gerais para presidente, em novembro de 2016. Ele frequentemente conta que recebeu uma bolsa escolar para a academia militar de West Point e outros casos da sua juventude na cidade de Detroit, que passaram a ser questionadas.

No sábado, Trump apresentou o programa "Saturday Night Live". Ele não havia conseguido avançar muito em seu monólogo inicial até que uma voz na plateia gritou “Você é um racista!". A intervenção veio do comediante Larry David, que pouco antes aparecera imitando o democrata Bernie Sanders. Fora do palco, diversos grupos protestavam contra a participação de Trump no programa.

Em meio a fortes críticas e pedidos de que Trump fosse retirado da programação, o republicano apresentou o "Saturday Night Live" conforme previsto.

"O que você está fazendo, Larry?", reagiu ele no palco. "Eu ouvi que, se gritasse isso, me pagariam US$ 5 mil", retrucou David, ao que Trump respondeu: "Como um homem de negócios, eu posso respeitar isso completamente".

Apesar de 40 anos de história convidando políticos para rirem de si próprios no ar, o convite do programa da rede NBC a um candidato a presidência foi quase sem precedentes. Antes disso, oito políticos haviam apresentado o programa e apenas um - o reverendo Al Sharpton em 2003 - estava envolvido com uma campanha presidencial, a do presidente Barack Obama.

O espaço dado a Trump reascendeu as chamas de revolta iniciadas em junho, quando ele anunciou sua candidatura e descreveu imigrantes ilegais mexicanos como criminosos e estupradores. A NBC sofreu forte pressão de grupos que pediam a retirada de Trump do programa em razão daquilo que uma ativista descreveu como "demagogia racista".

Horas antes do programa ir ao ar, dezenas de manifestantes marcharam da Trump Tower, edifício de propriedade do candidato, em direção aos estúdios da NBC. Eles entoavam gritos em inglês e espanhol e carregavam cartazes em que se lia "as pessoas unidas jamais serão vencidas". Vários deles chamavam o "Saturday Night Live" de racista.

"Sinto que eles estão dando a Trump uma plataforma", disse Hazel Hernandez, de 26 anos, que veio de El Salvador e hoje vive no Brooklyn, em Nova York. "Sou uma imigrante e estou indignada, eu estou nesse país há muitos anos e é decepcionante que deixem ele apresentar o programa", acrescentou. /REUTERS e ASSOCIATED PRESS

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