AFP PHOTO / KCNA VIA KNS
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Trump diz que 'conversar não é a resposta' para crise com Coreia do Norte

Presidente americano afirma que país dialogou com Pyongyang, 'pagando dinheiro de extorsão por 25 anos', e sugere não acreditar em saída diplomática para a crise; Kim Jong-un diz que teste de segunda foi apenas 'prelúdio' e promete novos lançamentos

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2017 | 11h16

WASHINGTON - Em meio a uma tentativa de formar uma aliança global para pressionar diplomaticamente a Coreia do Norte a abandonar seus testes balísticos e o programa nuclear, o presidente americano, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 30, no Twitter que “conversar não é a resposta para crise”. Pyongyang, por sua vez, prometeu novos lançamentos de mísseis que sobrevoem o Japão e garantiu que o disparo de terça-feira – condenado pela ONU – é um “prelúdio”. 

“Os EUA têm conversado com a Coreia do Norte e dado a eles dinheiro de extorsão há 25 anos”, disse Trump em sua conta no Twitter – entre 1995 e 2008 os EUA deram US$ 1,3 bilhão em auxílio ao país em troca da interrupção do programa nuclear. 

As declarações de Trump contradizem os principais integrantes de seu gabinete, como o chefe do Pentágono, Jim Mattis, e o secretário de Estado, Rex Tillerson, que defendem uma solução negociada para crise. Mattis, por sua vez, declarou que os EUA nunca desistiram de uma solução diplomática para a crise. Tillerson discutiu possíveis sanções com o chanceler russo, Sergei Lavrov, que as considera “contraproducentes”. Os EUA negociam com a China uma pressão maior sobre Pyongyang. Tillerson tem sido um contraponto ao tom belicoso de Trump nos últimos dias. 

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, prometeu novos lançamentos de mísseis sobre o Japão como maneira de desenvolver armas capazes de atingir a Ilha de Guam, que pertence aos EUA e abriga bases militares de Washington.

Rodong Sinmun, jornal oficial do partido único na Coreia do Norte, publicou ontem fotos do disparo. Em uma delas, Kim Jong-un rodeado por seus conselheiros estuda um mapa do noroeste do Pacífico em seu escritório. Em uma nota publicada nesta quarta, a agência oficial de notícias norte-coreana, a KCNA, cita Kim anunciando “mais exercícios de disparos de mísseis balísticos no futuro, com seu alvo no Pacífico”.

“O lançamento de terça foi um prelúdio importante para conter Guam, base avançada da invasão”, declarou a agência, que tratou o teste como uma resposta às manobras militares que os Exércitos americano e sul-coreano fazem na Coreia do Sul. Pyongyang considera esses exercícios militares um ensaio geral de uma invasão a seu território. 

Pressão. Os 15 países do Conselho de Segurança da ONU pediram a aplicação “estrita e plena” das resoluções das Nações Unidas, incluindo as que impõem sanções econômicas à Coreia do Norte. Segundo fontes diplomáticas, a ONU contemplaria a possibilidade de sancionar Pyongyang, deportando os trabalhadores norte-coreanos empregados no exterior, ou com medidas que afetem o setor do petróleo.

De acordo com uma fonte diplomática de Washington, o principal desafio da ONU era mostrar que a unidade internacional se mantém – com Moscou e Pequim – e chegar a um acordo sobre uma resposta rápida após o disparo do míssil.

O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, indicou que seu país está conversando com seus sócios do Conselho de Segurança sobre qual “reação” deve ser adotada. Yi ressaltou a importância de um consenso. A China é o aliado mais próximo dos norte-coreanos.

Numa reunião na Conferência de Desarmamento da ONU, Washington apelou ontem por uma frente única internacional para forçar os norte-coreanos a abandonar seu programa nuclear. A reunião, que ainda contou com a presença do Brasil, foi o palco de um debate acalorado sobre o futuro da península coreana.

O embaixador dos EUA para Desarmamento, Robert Wood, pediu que a comunidade internacional faça uma “condenação global”. “O tempo de debates há muito tempo acabou. Os perigos são claros e é o momento de termos uma ação coordenada”, defendeu. “Vamos trabalhar com nossos aliados, com China e Rússia, para ver o que podemos fazer”, completou.  Em sua avaliação, a China precisa usar sua influência para frear o regime norte-coreano. 

Durante o debate, o governo da Coreia do Sul alertou que, por suas contas, seu vizinho ao norte já teria cerca de mil mísseis, enquanto o Japão não descartou a possibilidade de que Pyongyang já disponha de ogivas nucleares. Desde 2012, Kim lançou o dobro de mísseis que seu pai em 17 anos. Só este ano, foram 18 disparos, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. / AP, REUTERS e AFP

 

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