SAUL LOEB/AFP
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Trump diz que cúpula com Kim pode ser adiada 

Presidente americano deu a declaração ao receber o líder sul-coreano na Casa Branca; reunião com norte-coreano está marcada para o dia 12 em Cingapura

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2018 | 15h06
Atualizado 22 Maio 2018 | 20h24

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou nesta terça-feira, 22, em dúvida a realização de seu encontro com o norte-coreano Kim Jong-un, marcado para o dia 12 de junho, o primeiro entre líderes dos dois países. Depois de aceitar a proposta de cúpula do ditador de maneira imediata, o americano afirmou que a reunião só ocorrerá se Pyongyang concordar com “certas condições”, as quais não revelou.

“Há uma chance muito substancial de que ela não dará certo e isso é ok”, declarou Trump no Salão Oval da Casa Branca, ao lado do presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in. “Isso não significa que não dará certo ao longo de um período de tempo. Mas pode não dar certo para o dia 12 de junho.” Contradizendo o que havia acabado de afirmar, emendou: “Mas há uma grande chance de que nós teremos o encontro.”

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Trump se disse “desapontado” com que considerou uma “mudança de atitude” do regime norte-coreano em relação à cúpula depois de Kim se encontrar pela segunda vez com o presidente da China, Xi Jinping, no dia 8 de maio. “Eu não gostei disso”, observou.

O americano ressaltou não saber se o chinês influenciou ou não o ditador. “O presidente Xi é um jogador de pôquer de primeira classe. Talvez nada tenha acontecido. Talvez tenha”, observou, fazendo referência à habilidade política do líder chinês. 

Na semana passada, o vice-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Norte, Kim Kye-gwan, disse que seu país não aceitará o “abandono unilateral” de seu programa nuclear. Kim também criticou o chefe do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, por ele ter sugerido o “modelo líbio” para as negociações com a Coreia do Norte.

A Líbia abriu mão de seu programa nuclear em 2003 e aceitou um padrão de inspeção que Bolton considera ideal para as conversas atuais. “O mundo sabe muito bem que nosso país não é a Líbia nem o Iraque, que tiveram destinos miseráveis”, ressaltou o vice-ministro. Segundo ele, a Coreia do Norte sente “repugnância” em relação a Bolton, que foi embaixador dos EUA na ONU durante o governo George W. Bush.

Trump reiterou a exigência de “completa desnuclearização” da Coreia do Norte. Em troca, ele prometeu dar garantias de segurança a Kim e ajuda econômica. “Sim, nós vamos garantir sua segurança. E nós temos falado isso desde o começo. Ele estará seguro. Ele estará feliz. Seu país será rico”, previu o presidente americano. 

Segundo ele, Coreia do Sul, Japão e China prometeram investir “grandes quantias” para “ajudar e tornar a Coreia do Norte grande”, caso seja fechado um acordo no qual Kim abra mão de sua ambição nuclear. A construção de um arsenal capaz de atingir países vizinhos e os EUA esteve no centro de seus primeiros sete anos de governo e analistas são céticos em relação à possibilidade de o ditador abrir mão de seu poderio militar.

Ao lado de Trump, Moon disse entender que as pessoas sejam céticas sobre a cúpula, mas garantiu ter “confiança completa” que o presidente americano pode chegar a um acordo para acabar com a guerra coreana e trazer “paz e prosperidade” à Coreia do Norte. “Eu tenho que dizer que o destino e o futuro da Península Coreana depende disso”, declarou o presidente sul-coreano, fazendo referência à reunião marcada para ocorrer em Cingapura. 

Trump adotou um tom menos grave – e mais confuso: “Se o acordo vai ser fechado ou não, quem sabe? É um acordo. Quem sabe? Você nunca sabe com acordos”, disse. “Fiz um monte de acordos. Conheço acordos, eu acho, mais do que ninguém. Você nunca sabe realmente.”

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