REUTERS/Leah Millis
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Trump diz que EUA devem condenar supremacia branca e ter algum controle sobre armas

Em discurso na Casa Branca após ataques que deixaram 29 mortos no fim de semana, presidente americano diz que casos foram 'crimes contra a humanidade' e pede o fim da 'glorificação da violência'

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 12h17
Atualizado 05 de agosto de 2019 | 18h41

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira, 5, que todos os americanos condenem os supremacistas brancos, cuja retórica é parte da tragédia ocorrida no Texas e em Ohio.

"O atirador de El Paso publicou um manifesto online consumido pelo ódio racista", disse o presidente em discurso na Casa Branca transmitido pela televisão após a morte de 29 pessoas nos ataques no fim de semana.

"E (com) uma voz, nossa nação deve condenar o racismo, o fanatismo e a supremacia branca. Essas ideologias sinistras devem ser derrotadas. O ódio não tem lugar na América. O ódio distorce a mente, destrói o coração e devora a alma", afirmou Trump.

Alvo constante de críticas por utilizar um discurso agressivo contra a imigração e, como consequência, supostamente alimentar uma onda de violência, Trump respondeu às insatisfações dos opositores e se mostrou "indignado e enojado" pelos massacres do fim de semana.

As autoridades federais já anunciaram que tratarão o tiroteio no Texas como um ato de "terrorismo doméstico", enquanto ainda investigam a motivação do ocorrido em Ohio. Em ambos os casos, os suspeitos são homens jovens brancos

Novas leis e controle

Trump também sugeriu a adoção de alguns controles na lei que garante o posse de armas e que os legisladores "devem se certificar de que as pessoas consideradas um grave risco à segurança pública não tenham acesso a armas de fogo e que, se o fizerem, essas armas de fogo sejam confiscadas rapidamente".

Mais cedo, o presidente havia usado sua conta no Twitter para pedir que democratas e republicanos trabalhem em conjunto nessas leis, mas condicionou a aprovação de qualquer dispositivo a uma reforma da migratória.

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Ele disse ter ordenado novas leis para garantir que os autores de assassinatos em massa sejam rapidamente executados.

"Hoje, também estou me dirigindo ao Departamento de Justiça para propor uma legislação que garanta que aqueles que cometem crimes de ódio e assassinatos em massa enfrentem a pena de morte e que essa pena capital seja executada rapidamente, sem anos de adiamento desnecessários."

Crimes contra humanidade

O republicano descreveu os ataques no Texas e em Ohio como um "crime contra toda humanidade".

"Essas matanças bárbaras são... um ataque contra uma nação e um crime contra toda humanidade", afirmou Trump, acrescentando que os EUA ficaram indignados com a "crueldade, o ódio, a maldade, o derramamento de sangue e o terror" que se espalharam nos ataques registrados no sábado e no domingo no país.

O presidente se referia às 20 pessoas mortas enquanto faziam compras em um Walmart lotado em El Paso, no Texas, na manhã de sábado, e a outras 9 que foram mortas 13 horas depois em um bairro de Dayton, Ohio.

Glorificação da violência

O presidente também afirmou que os americanos devem parar de glorificar a violência, apontando o dedo para os videogames.

"Temos que parar com a glorificação da violência em nossa sociedade. Isso inclui os horríveis e terríveis jogos de videogame que agora são comuns", acusou. "Hoje é muito fácil para jovens problemáticos se cercarem de uma cultura que celebra a violência."

Trump disse que a doença mental mais do que o acesso imediato às armas é o principal problema por trás da epidemia de violência armada dos Estados Unidos, e disse que a Internet alimenta isso. "Devemos reconhecer que a Internet forneceu um caminho perigoso para radicalizar mentes perturbadas", enfatizou. / AFP e EFE

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