Pedro PARDO / AFP
Pedro PARDO / AFP

Trump diz que EUA e México chegaram a acordo para evitar tarifas

Segundo o presidente americano, o governo de López Obrador prometeu medidas para 'reduzir grandemente ou eliminar' imigração ilegal

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 22h13
Atualizado 08 de junho de 2019 | 00h04

O presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu seu plano de impor tarifas contra o México em razão do ingresso de imigrantes ilegais. Ele tuitou que o governo de Andrés Manuel López Obrador concordou em adotar fortes medidas para frear o fluxo de imigrantes centro-americanos. O presidente americano havia dado um ultimato ao México e anunciado que aplicaria tarifas progressivas, começando em 5%, aos produtos exportados pelo vizinho, a partir de segunda-feira.

"Tarifas previstas para serem implementadas pelos EUA na segunda-feira contra o México estão suspensas por tempo indeterminado."

O presidente americano disse que as medidas prometidas pelo México vão "reduzir grandemente, ou eliminar, a imigração ilegal vinda do México para os EUA".

Segundo o acordo, o México vai adotar medidas rigorosas para conter a imigração ilegal, ações decisivas para desmantelar os grupos de tráfico de pessoas, assim como seu financiamento ilícito. México e EUA se comprometeram a ampliar sua cooperação bilateral, incluindo o compartilhamento de informações.

Os EUA vão imediatamente ampliar a implementação do já existente Protocolo de Proteção ao Migrante na fronteira sul. Isso significa que os que cruzarem a fronteira sul em busca de asilo serão rapidamente devolvidos ao México, onde aguardarão a análise de seus pedidos de refúgio, que os EUA se comprometeram em analisar rapidamente. 

López Obrador, celebrou o acordo. "Graças ao apoio de todos os mexicanos conseguimos evitar a imposição das tarifas aos produtos mexicanos que exportamos aos EUA", disse o presidente no Twitter, convocando a população a festejar neste sábado às 17 horas na cidade fronteiriça de Tijuana. A imposição das tarifas era potencialmente desastrosa para a economia do México, que envia 80% de suas exportações para os EUA.

Contra o tempo

Antes do anúncio do acordo, pressionados pelo ultimato de Trump, produtores e empresários do México começaram a enviar automóveis, abacates, telhas e pimenta, entre outros produtos, às pressas para o país vizinho. A Casa Branca afirmou na noite desta sexta-feira que Trump deixaria assinado o decreto que impõe a sobretaxa para forçar o México a ampliar as ações para barrar centro-americanos em busca do sonho americano.

 “Você vê esses gerentes de cadeias de suprimento em lágrimas, simplesmente levando as coisas o mais rápido que conseguem”, disse Jerry Pacheco, presidente da Associação Industrial de Fronteira em Santa Teresa, no Novo México.

Sandra Maldonado, que presta serviço de consultoria legal para fábricas de manufatura, disse que um de seus clientes, um fabricante de móveis, poderia perder US$ 1 milhão por dia se as novas tarifas entrassem em vigor. Franz Felhaber, um despachante aduaneiro na área de exportação de pimenta, calculou que os encargos custariam US$ 35 mil para os 100 caminhões que cruzam a fronteira todos os dias na alta estação das exportações de jalapeño, que começa em algumas semanas. 

Exportadores têm de pagar taxas antecipadas, uma prática que ameaça seu fluxo de caixa, mesmo que eles as repassem para os consumidores. Segundo ele, se as tarifas chegassem a 25% em outubro, dentro da escalonagem que Trump prometeu fazer, dois terços de seus clientes abandonariam os negócios. 

Ainda hoje mais cedo, também pelo Twitter, Trump afirmou que havia uma “boa chance” de que as partes chegassem a um acordo. 

Na quarta-feira, ele afirmou que o primeiro dia de reuniões com a delegação mexicana enviada ao México para negociar com o governo americano havia levado a avanços, mas não suficientes para resolver o problema migratório.

“Há um longo caminho a percorrer, não chegamos nem perto do fim das discussões”, disse Marc Short, chefe de gabinete do vice-presidente Mike Pence, um dos encarregados das negociações. “Mas acho que há a possibilidade de chegarmos a um acordo, se as negociações continuarem indo bem”, disse . 

Na quinta-feira, o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, que coordena as negociações em Washington, anunciou a mobilização de 6 mil membros da Guarda Nacional para a fronteira com a Guatemala, para conter o fluxo de imigrantes centro-americanos. A medida já era uma tentativa de se evitar as tarifas alfandegárias americanas. 

As autoridades mexicanas já tinham ordenado o bloqueio das contas bancárias de 26 pessoas supostamente envolvidas no tráfico de imigrantes, além do retorno de cerca de 100 hondurenhos a seu país de origem e a detenção de ativistas que defendem os direitos de imigrantes. Forças de segurança impediram nesta semana a entrada de uma caravana de cerca de 1.200 imigrantes, a maioria hondurenhos.

Segundo o governo mexicano, 300 mil imigrantes já chegaram ao país saindo da Guatemala somente neste ano, e as autoridades detiveram 51 mil deles – isso representa um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2018. A fronteira do México com a Guatemala tem 1.138 quilômetros, grande parte de campos abertos e selva.

Trump vem acusando o México de tomar pouca ou nenhuma atitude contra os imigrantes da América Central que têm se movido em grandes grupos pelo país rumo aos EUA. 

O jornal Washington Post informou, na quinta-feira, que autoridades mexicanas e americanas discutiam um acordo que aumentaria drasticamente os esforços de imigração do México e daria aos EUA mais liberdade para deportar centro-americanos em busca de asilo.

O plano, uma reforma das regras de asilo em toda a região, exigiria que os imigrantes da América Central procurassem refúgio no primeiro país em que entram depois de deixar sua terra natal. Para os guatemaltecos, seria o México. Para os imigrantes de Honduras e El Salvador, seria a Guatemala, cujo governo manteve conversas na semana passada com o secretário interino de segurança interna, Kevin McAleenan. 

Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, o número de pessoas detidas na fronteira subiu, em maio, para 132.887 pessoas. Do total, 11.507 eram crianças que viajavam desacompanhadas. / AP e AFP

 

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