Lam Yik Fei/The New York Times
Lam Yik Fei/The New York Times

Trump diz que EUA 'eliminarão' tratamento especial para Hong Kong

Presidente americano disse ainda que o país passará a restringir estudantes chineses

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2020 | 16h22
Atualizado 29 de maio de 2020 | 17h03

WASHINGTON - O presidente Donald Trump disse nesta sexta-feira, 29, que os Estados Unidos restringirão os estudantes chineses e começarão a reverter o status especial de Hong Kong nas alfândegas e em outras áreas, depois que Pequim impôs uma lei de segurança controversa

Trump disse que o governo chinês está "diminuindo o status de longa data da cidade". "Isso é uma tragédia para o povo de Hong Kong, o povo da China e para o mundo", disse Trump a jornalistas.

Reunião no Conselho de Segurança 

Estados Unidos e Reino Unido pediram nesta sexta-feira à China que aborde as "preocupações sérias" envolvendo a autonomia de Hong Kong em uma sessão da ONU rejeitada por Pequim, que advertiu sobre qualquer interferência na ex-colônia britânica.

"Esperamos que o governo chinês faça uma pausa e reflita sobre as preocupações sérias e legítimas que esta proposta levantou, tanto para Hong Kong quanto para todo o mundo, disse Johnathan Allen, segundo na representação do Reino Unido na ONU, referindo-se à lei de segurança.

"Caso se aplique, irá exacerbar as divisões profundas na sociedade de Hong Kong", afirmou Allen durante uma sessão remota do Conselho de Segurança convocada por Washington e Londres devido ao polêmico projeto de lei impulsionado pelo governo de Pequim.

Para Entender

O que muda na relação entre China e Hong Kong com a lei de segurança nacional

Modelo de 'um país, dois sistemas' está ameaçado e pode ter influências nas liberdades vigentes no território de Hong Kong

As críticas do Ocidente à China ganharam novo fôlego esta semana, após a aprovação desta normativa, que a população de Hong Kong teme que corte as liberdades que Pequim prometeu em 1997 manter quando Londres devolveu o território ao governo chinês.

Os ocidentais consideram que a nova lei poderia significar o fim da autonomia política do território, onde o movimento de protesto tenta voltar às ruas. "Nossa relação com a China é baseada no respeito mútuo e na confiança, mas esta decisão os questiona, advertiu o chefe da diplomacia europeia", Josep Borrell, após uma reunião dos chanceleres da União Europeia dedicada ao gigante asiático.

A China, uma das cinco potências que têm direito a veto no Conselho de Segurança da ONU, rejeita qualquer encontro formal e ação internacional envolvendo Hong Kong.

'Sem interferência'

Após a reunião do Conselho, o embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, afirmou que "qualquer tentativa de usar Hong Kong para intervir nos assuntos internos da China estará condenada ao fracasso". Ele exigiu que "Estados Unidos e Reino Unido deixem de fazer acusações sem fundamento contra a China", assinala um comunicado da representação diplomática do gigante asiático.

Mais cedo, Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, disse em entrevista coletiva que "o Conselho de Segurança não é um instrumento que os Estados Unidos podem manipular como bem entenderem".

O projeto de lei chinês pune a secessão, a subversão do poder do Estado, o terrorismo e atos que ponham em risco a segurança nacional, enquanto permite a suas agências de segurança atuar abertamente em Hong Kong. Também pune a interferência estrangeira no território semiautônomo.

Hong Kong, que sempre manteve uma posição desafiadora frente a Pequim, retomou em 2019 um movimento de protesto contra a influência da China, com manifestações gigantes, que contribuíram para um aumento dos ideais pró-independência, até então minoritários naquela ex-colônia britânica.

A China afirma que os EUA brincam com fogo ao apoiarem publicamente os protestos, e acusa os manifestantes mais radicais de promoverem "atividades terroristas".

Sob o conceito "Um país, dois sistemas", a ex-colônia britânica se beneficia, desde a sua devolução à China, em 1997, de ampla autonomia, liberdade de expressão e uma Justiça independente. Mas Pequim argumenta que a Lei Fundamental, uma pequena Constituição que rege Hong Kong desde 1997, obriga as autoridades daquele território a implementar uma lei sobre a segurança nacional. Uma iniciativa neste sentido em 2003 provocou grandes manifestações, e o projeto foi abandonado.

'Pequena minoria' 

A votação de ontem no Parlamento chinês aconteceu horas depois de os EUA declararem formalmente que Hong Kong já não gozava mais da autonomia prometida pela China, abrindo caminho para o corte das vantagens econômicas e comerciais concedidas pelos americanos à ex-colônia britânica.

A lei recém-aprovada será aplicada apenas "a uma pequena minoria de pessoas suspeitas de cometer crimes contra a segurança nacional", assegurou em editorial o "Diário do Povo", órgão oficial do Partido Comunista da China. Mas em Hong Kong, os opositores à influência do governo central chinês afirmam que a medida abre caminho para um retrocesso sem precedentes das liberdades naquela metrópole financeira./AFP 

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