NICHOLAS KAMM/AFP
NICHOLAS KAMM/AFP

Trump diz que EUA vão abandonar tratado nuclear, e Rússia alerta sobre retaliação

Presidente dos EUA alega que Kremlin não honrou o tratado de forças nucleares; Gorbachev aponta 'falta de sabedoria' de Trump

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2018 | 14h15
Atualizado 22 de outubro de 2018 | 15h16

A Rússia considera um "passo perigoso" o anúncio do presidente americano Donald Trump de deixar de cumprir o tratado sobre armas nucleares de alcance intermediário assinado durante a Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos.

O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), negociado pelo então presidente dos EUA Ronald Regan e pelo líder soviético Mikhail Gorbachev em 1987, estabeleceu a eliminação de mísseis nucleares e convencionais de alcances curto e intermediário por ambos os países. 

“A Rússia não honrou, infelizmente, o acordo então nós vamos encerrá-lo e sair dele”, disse Trump a jornalistas no sábado, 20.

O vice-ministro de relações exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou neste domingo, 21, que uma retirada unilateral dos EUA seria “muito perigosa”.

"Seria um passo muito perigoso que, tenho certeza disso, não será compreendido pela comunidade internacional e, inclusive, vai gerar sérias condenações", falou Riabkov à agência estatal TASS.

Autoridades estadunidenses acreditam que Moscou está desenvolvendo e instalou um sistema de mísseis 9M729, com lançamento baseado em terra, o que permitiria aos russos lançar um ataque nuclear contra a Europa com rapidez e violaria o tratado INF. A Rússia tem consistentemente negado qualquer violação do tratado.

Trump disse que os EUA vão desenvolver armas a menos que Rússia e China concordem em interromper o desenvolvimento.  Os chineses não fazem parte do tratado – que impede a posse pelos EUA de mísseis balísticos que podem ser lançados por terra e tenham alcance entre 500 e 5 mil quilômetros – e têm investido pesado em mísseis convencionais.

O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, chegou neste domingo a Moscou, onde se reunirá com importantes funcionários do governo da Rússia e com o presidente Vladimir Putin, para tratar vários temas das relações bilaterais, que segundo os russos está em "estado lamentável".

Ryabkov, em comentários publicados pela agência estatal de notícias RIA, afirmou que se os EUA abandonarem o tratado, a Rússia não terá escolha além de retaliar, o que incluirá a tomada de medidas de “natureza técnico-militar”. “Mas preferimos que as coisas não atinjam este ponto”, disse o vice-ministro, segundo a RIA.

Para as autoridades russas, o governo Trump está usando o tratado como uma tentativa de chantagear o Kremlin, o que coloca a segurança global em risco. “Não vamos, claro, aceitar ultimatos ou métodos de chantagem”, disse Ryabkov, exaltando a importância do tratado para a segurança internacional,  para a segurança no âmbito das armas nucleares e para preservar o que chamou de “estabilidade estratégica”.

Gorbatchev aponta ‘falta de sabedoria’ de Trump

O último presidente da União Soviética (URSS), Gorbachev avaliou neste domingo que Trump está agindo com pouca sabedoria ao abandonar o tratado.

"Não se deve romper de modo algum os acordos de desarmamento. É difícil compreender que a rejeição a estes acordos significa falta de sabedoria? É um erro", declarou Gorbachev, segundo a agência de notícias Interfax. / AFP e REUTERS

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