AFP PHOTO / Nicholas Kamm
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Trump diz que jornais fazem 'conluio' ao publicar editoriais contra sua gestão

Presidente americano se manifestou sobre textos publicados em mais de 300 veículos defendendo a liberdade de imprensa; movimento foi liderado pelo jornal Boston Globe

O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 15h40

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, criticou a imprensa dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 16, pelos editoriais publicados em mais de 300 jornais de todo o país defendendo a liberdade de imprensa. A ação foi uma resposta unificada aos ataques do presidente contra jornalistas e veículos de comunicação.

Em uma série de posts publicados no Twitter, Trump disse que o jornal Boston Globe estava "em conluio" com outros jornais por ter liderado o esforço editorial.

O presidente utilizou a palavra "conluio", que ficou associada à investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência russa nas eleições americanas de 2016. Por diversas vezes, Trump chamou tal investigação de "caça às bruxas" e "enganosa".

"O Boston Globe, que foi vendido para o falido New York Times por US$ 1,3 bilhão (mais US$ 800 milhões em perdas e investimentos), ou US$ 2,1 bilhões, depois foi vendido pelo Times por um dólar. Agora o Globe está em conluio com outros jornais da imprensa livre. Provem!", escreveu Trump, sem explicar exatamente o que deveria ser provado.

Trump criticou diretamente o Boston Globe, ao apontar que o New York Times havia vendido o jornal com grandes perdas, embora tenha dito incorretamente que o preço da venda tenha sido de US$ 1. A Times Co. vendeu o Globe e outras propriedades por US$ 70 milhões em 2013, depois de ter pago US$ 1,1 bilhão duas décadas antes.

Em um tuíte publicado logo em seguida, o presidente escreveu que é a favor da "verdadeira liberdade de imprensa", mas repetiu as acusações de que a maioria das notícias produzidas é falsa ou impulsiona interesses políticos particulares. Mais cedo, pela manhã, Trump também chamou a "mídia de fake news" de "partido de oposição".

"Não há nada que eu gostaria mais para nosso país do que a verdadeira liberdade de imprensa. O fato de que a imprensa é livre para escrever e dizer o que quer, mas muito do que diz é fake news, empurrando uma agenda política ou simplesmente tentando machucar as pessoas. A honestidade vence!", declarou.

O presidente anteriormente havia chamado a imprensa de inimiga do povo e reuniu seus partidários para se manifestarem contra a mídia. Críticos apontaram que tal orientação poderia levar à violência contra jornalistas.

No início deste mês, um editor sênior no Boston Globe propôs que jornais publicassem editoriais sobre "os perigos do ataque da administração à imprensa".

Os tuítes do presidente vieram um dia depois de a Casa Branca anunciar que Trump havia tomado a decisão, sem precedentes, de revogar as credenciais de segurança do ex-diretor da CIA, John Brennan, um de seus maiores críticos.

Brennan disse que a ação do presidente foi uma tentativa de silenciá-lo e uma advertência para outros que se manifestem contra ele ou as políticas de sua administração. "As alegações do sr. Trump de que não houve conluio são, em uma palavra, bobagem", disse Brennan, que liderava a CIA quando a Rússia começou sua campanha de interferência. A declaração foi feita em um artigo de opinião, publicado pelo Times.

Trump tem lutado contra acusações de que sua campanha presidencial conspirou com a Rússia para influenciar o resultado da eleição em 2016.

Ele repetidamente disse que não houve conluio e chamou as reportagens e notícias sobre os contatos de sua campanha com a Rússia de "fake news", mesmo quando procuradores federais detalharam tais contatos em documentos legais.

A Casa Branca disse que o presidente estava considerando revogar as credenciais de outros ex-agentes de segurança e de um funcionário atual.

Ex-funcionários de Segurança Nacional mantêm suas autorizações em parte para poderem colaborar com as novas administrações, oferecendo consultas ou relatando contextos históricos. / NYT

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