AP Photo/Evan Vucci
AP Photo/Evan Vucci

Trump diz que não haverá acordo para regularizar jovens imigrantes nos EUA

No feriado de Páscoa, presidente americano coloca sob risco de deportação cerca de 800 mil adolescentes que chegaram ao país ainda crianças e ameaça acabar com o Nafta, caso o governo mexicano não contenha fluxo de pessoas na fronteira

O Estado de S.Paulo

01 Abril 2018 | 15h31
Atualizado 01 Abril 2018 | 19h49

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse neste domingo que não haverá um acordo para legalizar os jovens imigrantes conhecidos como "dreamers" (sonhadores), que foram levados ao país ainda crianças – e agora correm risco de deportação. Pelo Twitter, ele ameaçou ainda retirar o país do Nafta se o governo mexicano não contiver o fluxo de imigrantes na fronteira.

+ Mexicanos prometem pular modelos de muro vistos por presidente

+ Trump viaja à Califórnia para avaliar protótipos do muro que pretende erguer na fronteira com México

Depois de publicar uma mensagem de "Feliz Páscoa" na rede social, Trump disse que "os agentes de patrulha da fronteira não têm permissão para fazer o trabalho corretamente em razão de leis liberais ridículas". "Os republicanos devem aprovar leis mais duras agora. Não há mais acordo para o Daca."

+ Proteção imigratória para os 'dreamers' continua, dizem EUA

+ Senadores apresentam plano migratório que desafia Trump

O "Daca" a que se referia Trump é o programa batizado de Ação Diferida para os que Chegaram na Infância (Daca, na sigla em inglês), em 2012, pelo ex-presidente democrata Barack Obama. O objetivo era proteger da deportação pessoas que haviam sido levadas aos EUA ainda crianças por pais que eram imigrantes ilegais. 

Recentemente, Trump tentou acabar com o programa de Obama. No entanto, antes de finalizá-lo definitivamente, deu um prazo de seis meses – que expirou sábado – para que o Congresso encontrasse uma solução.

Em janeiro, o juiz William Alsup, de San Francisco, bloqueou a revogação do programa e ordenou ao Executivo a manutenção do Daca em nível nacional, nos mesmos termos e condições que ele tinha antes de ser suprimido. A Casa Branca considerou a decisão "escandalosa" e defendeu que o futuro dos jovens deve ser decidido pelo processo legislativo – e não por uma ordem executiva, como fez Obama.

A decisão de Trump deve afetar cerca de 800 mil pessoas que estavam protegidas pelo Daca. A maioria desses jovens nasceu no México ou em outros países centro-americanos e vive na Califórnia e no Texas. Com o fim do programa, muitos beneficiários temem que as autoridades usem as informações e dados pessoais cadastrados para localizá-los e deportá-los.

Nafta

Enclausurado em seu resort de Mar-a-Lago, na Flórida, Trump também acusou o México de fazer "muito pouco" para deter o fluxo de pessoas na fronteira com os EUA e, em represália, ameaçou retirar o país do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), atualmente em renegociação.

"O México está fazendo muito pouco ou nada para impedir que as pessoas cheguem por sua fronteira sul, e depois entrem nos EUA. Eles riem de nossas leis idiotas de imigração", tuitou o presidente. "Eles devem deter a droga e o fluxo de pessoas ou vou deter seus ganhos com o Nafta."

Trump disse que ainda está aberto a negociar um acordo sobre o Daca com os democratas no Congresso, desde que haja financiamento para a construção de um muro na fronteira com o México, uma de suas principais promessas de campanha.

Os jovens sonhadores

O futuro de 800 mil jovens é um dos maiores dramas da questão migratória nos EUA. Eles chegaram ainda crianças, vindos de países da América Latina. Viveram como americanos e perderam a relação que tinham com seus países de origem – muitos nem sequer falam mais a língua nativa da família. 

Segundo pesquisas, cerca de 70% dos americanos são a favor de legalizar a situação dos jovens e evitar deportações em massa. Este foi o caso de Miguel Perez, de 39 anos. Ele é mexicano, mas chegou aos EUA quando tinha 8. Cresceu como americano, se alistou no Exército e lutou no Afeganistão. 

Em fevereiro, ele foi separado dos filhos (que são americanos) e deportado para o México. Segundo a ONG American Families United, há mais de 10 mil veteranos na mesma situação de Perez. / REUTERS, AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.