Joe Skipper/REUTERS
Joe Skipper/REUTERS

Trump critica Biden durante evento e sugere que disputará eleições de 2024

Em discurso na Conferência de Ação Política Conservadora, na Flórida, ex-presidente pede união do Partido Republicano e assegura que não pretende criar uma nova legenda; magnata repete as alegações fraudulentas de que venceu a eleição de novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2021 | 19h28
Atualizado 01 de março de 2021 | 09h37

ORLANDO - O ex-presidente Donald Trump insinuou neste domingo, 28, que poderá disputar a presidência novamente em 2024, atacou o presidente Joe Biden e repetiu suas afirmações fraudulentas de que venceu a eleição de novembro de 2020 em sua primeira aparição importante desde que deixou a Casa Branca. Ele também afirmou que não tem planos de criar uma legenda para competir com o Partido Republicano e disse que essas informações são “fake news”.

Trump fez os comentários durante um discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, nas siglas em inglês) em Orlando, Flórida, menos de seis semanas após deixar o cargo. 

“Vocês sentem minha falta?”, questionou Trump depois de subir ao palco. “Estou diante de vocês hoje para declarar que a incrível jornada que começamos juntos...está longe de terminar.”

“Nosso movimento de patriotas americanos orgulhosos e trabalhadores está apenas começando e, no final, vamos vencer. Venceremos”, disse Trump. 

O ex-presidente pediu união do Partido Republicano e disse que não tem planos de tentar lançar uma nova legenda, uma ideia que teria discutido com assessores nos últimos meses. “Não estamos começando novos partidos. Temos o Partido Republicano. Ele será unido e mais forte do que nunca. Não estou começando um novo partido”, assegurou. 

Críticas

No discurso, Trump fez ataques ferozes ao presidente, em uma tentativa de se posicionar como o principal crítico do democrata. Ele falou sobre os planos de Biden para imigração e segurança na fronteira dos EUA com o México, além de citar a lenta reabertura de escolas fechadas devido à pandemia.

“Eles acabaram de perder a Casa Branca”, disse o ex-presidente republicano, após criticar a forma como Biden está lidando com a segurança da fronteira. “Mas, quem sabe, posso até decidir vencê-los pela terceira vez”, acrescentou.

“Todos nós sabíamos que o governo Biden seria ruim, mas nenhum de nós imaginava o quão ruim ele seria e o quão longe ele iria”, disse Trump. “Joe Biden teve o primeiro mês mais desastroso de qualquer presidente da história moderna.”

É altamente incomum que ex-presidentes americanos critiquem publicamente seus sucessores logo após deixarem o cargo. Os ex-presidentes normalmente ficam fora dos holofotes por pelo menos um tempo – Barack Obama foi visto de férias depois de sua partida, enquanto seu antecessor, George W. Bush, afirmou que Obama “merecia” seu silêncio.

Nas últimas semanas tumultuadas de Trump no cargo, seus apoiadores invadiram o Capitólio em uma tentativa de impedir o Congresso de certificar a vitória de Biden nas eleições. O incidente levou a um segundo processo de impeachment contra Trump, que acabou sendo absolvido pelo Senado.

Conflito

Mas a crise desencadeou um conflito dentro do Partido Republicano, com figuras do establishment, como o líder da minoria no Senado Mitch McConnell, ansiosas para deixar Trump para trás e outros, como o senador Lindsey Graham, acreditando que o futuro do partido depende da energia da base conservadora pró-Trump. 

O senador republicano Bill Cassidy, que votou a favor de condenar Trump no julgamento político, disse à rede CNN que se desfazer de Trump é fundamental.

Os resultados de uma enquete entre os participantes da conferência do CPAC deram a Trump uma forte demonstração de apoio com 55% dos pesquisados dizendo que votariam nele na disputa pela indicação presidencial republicana de 2024. O governador da Flórida, Ron DeSantis, ficou em segundo lugar com 21%.

Sem Trump como uma opção, DeSantis lidera com 43%, seguido pelo governador da Dakota do Sul, Kristi Noem, com 11%. O ex-vice-presidente Mike Pence apareceu com 1% das intenções de voto. Mas nem todos apoiaram Trump. A uma outra questão perguntando se Trump deveria concorrer novamente em 2024 , 68% disseram que sim, enquanto 32% declararam que se opunham ou não tinham opinião.

A conferência, realizada este ano em Orlando, em vez de nos subúrbios de Washington por causa das restrições da covid-19, foi uma homenagem a Trump e ao trumpismo. Os palestrantes, incluindo muitos aspirantes em potencial às eleições de 2024, argumentaram que o partido deve abraçar o ex-presidente e seus seguidores, mesmo após o ataque ao Capitólio. E repetiram suas alegações infundadas de que Trump perdeu as eleições de novembro apenas porque a eleição foi “fraudada” – afirmações que foram rejeitadas por juízes, funcionários estaduais republicanos e pelo próprio governo Trump.

Para muitos eleitores, Trump se tornou o partido. E no CPAC, muitos dos milhares de participantes usando os chapéus Make America Great Again deixaram claro que sua lealdade não era mais com a própria legenda. Dezenas de conservadores se irritaram neste final de semana com o rótulo republicano, criticaram os atuais líderes do partido no Congresso e prometeram deixar a legenda se Trump não concorrer novamente à presidência em 2024. 

Essas pessoas – algumas exibindo orgulhosamente as camisetas Trump 2020 – sugeriram que a viabilidade do Partido Republicano no futuro depende inteiramente da vontade de seus membros de permanecerem firmes ao passado. / REUTERS, AP, NYT e W.POST

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