EFE/Justin Lane
EFE/Justin Lane

Trump diz que ONU é prejudicada por 'burocracia e má administração'

Em rápido discurso durante reunião convocada pelos EUA sobre reformas na organização, republicano encoraja secretário-geral António Guterres a 'reformar sistemas antiquados' e 'tomar decisões firmes' para que cidadãos recuperem confiança nas Nações Unidas

O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2017 | 13h12

NAÇÕES UNIDAS - O presidente americano, Donald Trump, criticou nesta segunda-feira, 18, a "burocracia" das Nações Unidas em seu discurso de estreia em uma reunião da organização. "A ONU deve se concentrar mais nas pessoas e menos na burocracia" e buscar "resultados", defendeu o republicano, que lidera uma ofensiva para reformar a organização.

"A Organização das Nações Unidas foi fundada com metas verdadeiramente nobres", disse Trump. "Mas nos últimos anos não atingiu seu potencial devido à burocracia e à má administração", apontou o magnata, que no passado chegou a afirmar que a organização funcionava como um "clube para que as pessoas se encontrassem, conversassem e passassem um bom tempo".

O presidente americano disse que apoia plenamente a "grande visão de reforma" do ex-primeiro-ministro português António Guterres, atual secretário-geral da organização, e disse que a ONU se transformará em uma força importante em "favor da paz e da harmonia" do mundo se as mudanças forem verdadeiramente claras.

"Encorajamos o secretário-geral a utilizar plenamente sua autoridade para reduzir a burocracia, reformar sistemas antiquados e tomar decisões firmes para promover a missão central da ONU", destacou Trump durante o discurso.

Além disso, Trump pediu que todos os países-membros não fiquem presos às fórmulas do passado que não funcionam. O objetivo, segundo ele, é que os cidadãos recuperem a confiança no trabalho da ONU.

Nesse sentido, o presidente americano criticou que a elevação dos gastos com pessoal ocorridos na ONU desde 2000 não deram os resultados que deveriam. "Mas estamos vendo que, com o secretário-geral, isso está mudando e mudando rapidamente", afirmou.

O discurso, que durou apenas cinco minutos, foi marcado por um caráter institucional. No início, no entanto, Trump brincou sobre o "grande potencial" que viu na ONU quando decidiu construir uma torre com seu nome em frente à sede da organização.

Planos

Os Estados Unidos são o principal financiador da organização criada no final da 2ª Guerra, mas Trump ameaça reduzir drasticamente esses fundos, o que para Guterres, criaria "um problema insolúvel" para a instituição.

"Nenhum Estado-membro deveria ser sobrecarregado desproporcionalmente com responsabilidade, militar ou financeira", considerou Trump, sentado entre Guterres e a embaixadora americana Nikki Haley.

Nikki foi uma das principais responsáveis pelo corte de US$ 600 milhões no orçamento das missões de paz da ONU neste ano.

A embaixadora americana na ONU destacou na sexta-feira que mais de 120 países apoiam a declaração apresentada pelos EUA pedindo uma reforma da ONU, considerando "um número milagroso" que prova o apoio para "um pacote maciço de reformas" que seriam lideradas por Guterres.

França e Rússia reagiram friamente à iniciativa americana, preocupados com o fato de a primeira potência mundial se concentrar mais em reduzir o orçamento do que em melhorar a eficiência da ONU.

Na terça-feira, na Assembleia-Geral anual da ONU, Trump tomará a palavra em frente ao famoso mármore verde na presença de cerca de 130 líderes mundiais, em uma reunião dominada pela escalada nuclear e balística da Coreia do Norte, o acordo nuclear com o Irã e a situação dos muçulmanos rohingya em Mianmar.

Todos os olhos estarão voltados ao imprevisível presidente dos Estados Unidos, para ver como ele combina sua política "Estados Unidos primeiros" com o multilateralismo defendido pela ONU. / AFP, REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.