Shealah Craighead/White House via AP
Shealah Craighead/White House via AP

Trump diz que operação audaciosa contra o EI foi 'como um filme'

Segundo o presidente americano, Al-Baghdadi estava sob vigilância havia duas semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 15h10

WASHINGTON - Começou com oito helicópteros voando a baixa altura no escuro, em um território hostil. Terminou duas horas depois, com um dos homens mais procurados do mundo encurralado por soldados americanos, pouco antes de explodir a si mesmo. 

A milhares de quilômetros de distância, na Sala de Crises da Casa Branca, o presidente americano, Donald Trump, disse ter testemunhado o fim do líder do Estado Islâmico, Abu Bakr Al-Baghdadi, por meio de uma transmissão à qual assistiu "vidrado". "Como estivesse vendo um filme", descreveu. 

Em um pronunciamento neste domingo, após anunciar a operação e seu resultado, Trump disse que Al-Baghdadi estava "sob vigilância havia duas semanas". 

Assim que sua localização foi confirmada, a incursão das forças especiais começou a ser executada no sábado. "Um grande grupo participou dela, com oito helicópteros, e muitos outros barcos e aviões", relatou Trump. 

Segundo as explicações do presidente, primeiro as forças americanas tiveram de cruzar um território hostil vindo de um local não revelado no noroeste da Síria, voando por aproximadamente uma hora e dez minutos. 

"Voamos muito, muito baixo e muito, muito rápido. Mas foi uma grande parte de uma missão perigosa. Entrar e sair", disse Trump. "Havia uma possibilidade de ficarmos sob um fogo incrível." 

Quando chegaram ao destino, segundo ele, "o inferno desatou". "Uma grande equipe de combatentes brilhantes desceu desses helicópteros e fez vãos na lateral do prédio" para evitar armadilhas explosivas em qualquer porta, disse o presidente.

Isso foi "algo muito incrível de ver", disse sobre sua experiência na Sala de Crises, onde também estavam o vice-presidente Mike Pence e oficiais militares e de segurança nacional de alto escalão.

"(Militares americanos) Foram recebidos com muito fogo", conta. Um "grande número" de simpatizantes de Al-Baghdadi morreu com o fogo de resposta, mas nenhum agente americano, afirmou Trump.

Operação foi transmitida passo a passo

Os comandantes estavam transmitindo seu progresso passo a passo: 11 crianças, que estariam no local como prisioneiras, foram tiradas vivas, disseram eles. As mulheres de Baghdadi foram mortas. 

E então veio a informação que todos estavam esperando. "Senhor, só resta uma pessoa no prédio. Estamos seguros de que está no túnel tentando escapar, mas é um túnel sem saída", relatou Trump, sobre o que ouviu dos agentes. Tratava-se de Al-Baghdadi. 

O extremista tinha levado três de seus filhos com ele para o túnel, disse Trump, afirmando que sua presença não impediria a ação dos americanos. "Foi brutal", resumiu o mandatário. 

As tropas americanas enviaram cachorros ao túnel, e o líder do EI "se explodiu".

"Chegou ao fim do túnel enquanto nossos cachorros lhe perseguiam. Explodiu seu colete, matando a si mesmo e aos três meninos", narrou Trump.

"Não morreu como um herói, morreu como um covarde, chorando, gemendo e gritando, e levando três meninos para morrer com ele. Morte segura. E ele sabia que o túnel não tinha saída", afirmou.

Os soldados tomaram amostras do corpo mutilado do líder para fazer a identificação do DNA antes de irem embora.

Trump disse que as tropas ficaram no complexo durante aproximadamente duas horas. A única vítima computada no lado americano, segundo o presidente, foi o cachorro, que ficou ferido. / AFP  

 

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