Andrew Caballero-Reynolds / AFP
Andrew Caballero-Reynolds / AFP

Paralisação do governo continuará até acordo sobre muro, diz Trump

Trump exige US$ 5 bilhões para construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, um pilar de sua plataforma eleitoral; democratas e republicanos no Congresso rejeitam a ideia

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2018 | 16h15

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta terça-feira, 25, que não vai reabrir o governo até obter os US$ 5 bilhões para financiar o muro que deseja construir na fronteira com o México para conter a imigração ilegal. A paralisação parcial do governo federal dos EUA entrou no quarto dia. O Congresso suspendeu o debate orçamentário sem chegar a um acordo sobre os recursos para o muro na fronteira com o México.

"Não posso dizer quando o governo vai reabrir", disse o presidente republicano a jornalistas na Casa Branca após sua teleconferência anual de Natal com soldados americanos. "Posso dizer que não estará aberto até que tenhamos um muro, uma cerca, como queiram chamá-lo", destacou.

A exigência de Trump de construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, um pilar de sua plataforma eleitoral, tem sido rechaçada pelos democratas e alguns republicanos no Congresso, levando o presidente a repudiar um acordo orçamentário, o que conduziu à paralisação parcial do governo federal por falta de fundos.

Para o diretor de orçamento da Casa Branca, Mick Mulvaney, é muito provável que a paralisação prossiga até janeiro. "É muito possível que este ‘shutdown’ prossiga além do dia 28 e até o novo Congresso", disse ele ao canal Fox News. A primeira reunião da nova legislatura está prevista para 3 de janeiro.

Os democratas se opõem com veemência à construção. A falta de um acordo provocou a expiração dos fundos federais para dezenas de agências à meia-noite de sexta-feira. Quase 800 mil funcionários públicos entraram em licença não remunerada ou, no caso dos serviços considerados essenciais, são obrigados a trabalhar sem pagamento.A Câmara de Deputados e o Senado realizaram sessões no sábado, mas as duas Casas adiaram os debates sem chegar a um acordo. Uma votação não deve acontecer antes de 27 de dezembro.

Trump reafirmou o que havia dito segunda-feira no Twitter sobre a aprovação de um contrato para a construção de um muro de 185 km de extensão no Texas, embora a Casa Branca não tenha dado detalhes sobre o projeto.

O presidente afirmou que visitará este trecho da fronteira "no fim de janeiro para o início da construção". "Vai ser construído, com sorte rapidamente", disse.

O líder da bancada democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou no fim de semana que Trump deve abandonar o muro para que o governo federal possa voltar a funcionar com normalidade.

Em sua conta no Twitter, Trump disse que estava "negociando com os democratas sobre a segurança na fronteira que é desesperadamente necessária (gangues, drogas, tráfico de pessoas e mais)".

 


O republicano, que transformou a luta contra a imigração ilegal em sua principal meta, rejeitou na quinta-feira um texto de compromisso orçamentário preparado no Senado porque não incluía um fundo de US$ 5 bilhões para financiar o muro.

Cenário

A maioria republicana na Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de orçamento que incluía as demandas do presidente sobre o muro na fronteira, mas a medida foi bloqueada no Senado.

Com apenas 51 cadeiras das 100 no Senado, os republicanos não têm os 60 votos necessários para aprovar uma lei de orçamento. E não podem contar com o apoio dos democratas, que rejeitam categoricamente a ideia do muro.

Para Trump o tempo é curto, porque os democratas serão novamente maioria na Câmara em janeiro, após a vitória nas legislativas de novembro. Além disso, a paralisação acontece em um contexto de tensão, após o anúncio presidencial esta semana sobre a retirada das tropas americanas da Síria, o que provocou a renúncia do secretário de Defesa, Jim Mattis, e do enviado para a coalizão internacional antijihadista, Brett McGurk. / AFP, REUTERS e AP

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