Washington Post photo by Jabin Botsford.
Washington Post photo by Jabin Botsford.

Trump diz que plano sobre muro na fronteira com México nunca foi alterado

Presidente diz que acordo sobre jovens imigrantes depende do financiamento da obra; deputados aprovam orçamento temporário e o enviam ao Senado, onde democratas ameaçam bloqueá-lo, paralisando a administração nas primeiras horas de sábado

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 10h04
Atualizado 18 Janeiro 2018 | 23h50

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar nesta quinta-feira, 18, que seu plano de construir um muro na fronteira com o México "nunca mudou” e garantiu que um acordo sobre imigração com os democratas depende da aprovação do financiamento da obra. As declarações dificultaram ainda mais um acordo no Congresso para aprovação do orçamento e o impasse pode paralisar o governo a partir de hoje.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira à noite um projeto de orçamento temporário – de quatro semanas – e o enviou ao Senado. No entanto, os democratas no Senado garantem que têm votos suficiente para bloqueá-lo.

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A mensagem, publicada em sua conta no Twitter, foi uma resposta direta a reportagem publicada na véspera pelo jornal The Washington Post na qual o diário relatou, citando fontes, que o chefe de gabinete de Trump, John Kelly, disse em reunião com congressistas que algumas das políticas mais duras defendidas pelo presidente, incluindo o muro fronteiriço, "foram mal informadas".

"Nunca foi nossa intenção construir (o muro) em áreas onde já existe proteções naturais como montanhas, longas faixas de terra inacessíveis, rios ou água", escreveu o presidente americano na rede social.

Em um segundo tuíte ele continuou sua argumentação: "O muro será pago, direta ou indiretamente, ou por reembolso de longo prazo, pelo México, que tem um ridículo superávit comercial de US $ 71 bilhões com os EUA". 

Para Trump, os US$ 20 bilhões necessários para erguer a barreira são "insignificantes" quando comparados com o lucro que o México obtém em sua relação comercial com os EUA. "O Nafta é uma piada de mau gosto", concluiu o presidente americano, rebatendo os principais pontos da reportagem do Post.

Imigrantes

Trump também atrelou um acordo migratório com a construção do muro. “Precisamos do muro para impedir a entrada de drogas vindas do México, agora considerado o país mais perigoso do mundo. Se não houver muro, não haverá acordo”, tuitou o presidente.

Sexta-feira, dia 19, é o último dia para que republicanos e democratas cheguem a um acordo para a aprovação do orçamento dos EUA e garantam o funcionamento do governo americano. Com apenas 51 dos 100 votos no Senado, os republicanos precisam do apoio de pelo menos 9 democratas para aprovar as medidas orçamentárias. Nos bastidores, alguns congressistas defendem o adiamento do prazo para que as negociações prossigam.

Os democratas condicionam qualquer proposta orçamentária à aprovação de lei que permite a permanência dos jovens inscritos no Daca, programa de proteção a imigrantes que chegaram aos EUA quando eram crianças ou adolescentes. Hoje, são cerca de 800 mil imigrantes ilegais, conhecidos como “dreamers” (sonhadores). 

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Depois da publicação da reportagem do Post, Kelly foi entrevistado pela emissora Fox News e confirmou os comentários aos congressistas, mas tentou minimizar as diferenças com o presidente ao descrevê-lo como um "negociador disposto".

"Ele evoluiu na forma como vê as coisas", disse Kelly. "Da campanha para o governo são duas coisas muito diferentes e este presidente tem sido muito flexível em termos do que está no reino do possível."

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