/ AFP PHOTO / Brendan Smialowski
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Trump diz que 'representa Pittsburgh' ao sair de acordo e é repreendido pelo prefeito da cidade

Bill Peduto promete cumprir metas climáticas após presidente justificar saída de pacto ambiental dizendo que 'representa Pittsburgh e não Paris'

O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 18h25

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, justificou, entre outros argumentos, a retirada do país do Acordo de Paris dizendo que foi eleito para "representar Pittsburgh e não Paris", em uma referência à tradição da cidade da Pensilvânia na exploração de carvão. Minutos depois, ele foi repreendido no Twitter pelo prefeito da cidade, Bill Peduto, que se comprometeu a cumprir as metas do acordo.

A decisão do presidente fez também 50 prefeitos americanos se comprometerem a cumprir as metas voluntárias do pacto à revelia da decisão federal. Trump ainda foi criticado por empresas, como a Tesla, e pela União Europeia. 

Durante o discurso, Trump disse que "foi eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, não de Paris". Logo após o pronunciamento, o prefeito de Pittsburgh, Bill Peduto, contradisse Trump e prometeu seguir as regras do acordo. 

"Como prefeito de Pittsburgh, garanto que vamos seguir os parâmetros do Acordo de Paris, pelo nosso povo, nossa economia e nosso futuro", escreveu o prefeito no Twitter.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, também reagiu ao discurso de Trump. "As mudanças climáticas são uma ameaça única ao futuro do planeta e colocam em perigo a saúde, a prosperidade e a segurança de nossos filhos e netos", disse. "Exorto o presidente Trump a rever sua decisão."

A Conferência Americana dos prefeitos divulgou nota na qual manifestou sua "forte oposição" à saída dos Estados Unidos do acordo. Os prefeitos se comprometeram a manter os esforços para reduzir a emissão de poluentes de maneira voluntária. 

 

"O aumento do nível dos oceanos provocado pelas mudanças climáticas podem destruir Nova Orleans e outras cidades costeiras", lembrou o prefeito da cidade, Mitch Landrieu. 

 


Veja a seguir as principais repercussões sobre a decisão de Trump:

Empresas.  O executivo-chefe da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, confirmou nesta quinta-feira que deixará os conselhos de assessoria do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a saída do país do Acordo de Paris.

"Estou deixando os conselhos de assessores da presidência. A mudança climática é real. Deixar (o Acordo) de Paris não é bom nem para os EUA nem para o mundo", afirmou Musk no Twitter.

Diplomacia. A União Europeia (UE) lamentou profundamente a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tirar o país do Acordo de Paris nesta quinta-feira, mas afirmou que o pacto continuará a existir e que a Europa seguirá liderando a luta contra a mudança climática.

"Hoje é um dia triste para a comunidade global, já que um parceiro-chave virou as costas para a luta contra a mudança climática", indicou o comissário de Ação pelo Clima e Energia da UE, Miguel Arias Cañete, em um comunicado após o anúncio de Trump.

Brasil. Em nota divulgada há pouco pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro diz ter recebido hoje "com profunda preocupação e decepção" o anúncio que os Estados Unidos vão se retirar do Acordo de Paris sobre o clima para renegociar sua reentrada. "Preocupa-nos o impacto negativo de tal decisão no diálogo e cooperação multilaterais para o enfrentamento de desafios globais", diz o texto.

Segundo a nota, esse acordo, que está sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, estabelece um arcabouço para que cada um dos os países partes definam metas e políticas para regular a emissão de gases do efeito estufa. 

"O Brasil continua comprometido com o esforço global de combate à mudança do clima e com a implementação do Acordo de Paris", diz a nota. "O combate à mudança do clima é processo irreversível, inadiável e compatível com o crescimento econômico, em que se vislumbram oportunidades para promover o desenvolvimento sustentável e para novos ganhos em setores de vanguarda tecnológica." / EFE e AP, com Lu Aiko Ota

 

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