Tom Brenner/The New York Times
Tom Brenner/The New York Times

Trump diz que republicanos estão 'perdendo tempo' tentando aprovar lei migratória antes das eleições

Nas últimas duas semanas, o presidente e vários membros do gabinete repetiram, como um mantra, que a chave para a solução para a crise de separação de famílias está no Congresso, que devia aprovar uma lei migratória

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2018 | 15h51

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 22, que os republicanos deveriam parar de "gastar o tempo deles" com imigração, sugerindo que eles deveriam se poupar do esforço de aprovar uma legislação até as eleições de meio de mandato, em novembro.

Na votação, segundo ele, os republicanos conseguirão eleger mais membros para o Congresso e, assim, aprovar a "melhor, mais justa e ampla legislação sobre imigração de todo o mundo", escreveu Trump, no Twitter. 

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Em dois tuítes, Trump prometeu a seus seguidores que, se elegerem mais republicanos em novembro, o partido aprovará "as melhores, mais justas e mais abrangentes leis imigratórias de todo o mundo". "Agora, temos as piores e mais burras (leis)", criticou. "Podemos aprovar Grandes leis após a Onda Vermelha!", exclamou o presidente americano, em referência à cor pela qual o Partido Republicano é conhecida nos EUA.

A Câmara dos Deputados americana adiou para a semana que vem uma votação crucial sobre reforma migratória, em meio à polêmica sobre os mais de 2,3 mil menores separados de seus pais na fronteira.

Os deputados rejeitaram, em uma primeira votação, um projeto de lei claramente conservador, e as negociações afundaram antes da consideração de outro texto, de perfil mais moderado.

Diante desse cenário, os líderes das várias tendências na bancada do Partido Republicano iniciaram uma reunião a portas fechadas, aparentemente em uma tentativa de chegar a algum tipo de consenso.

Nas últimas duas semanas, o presidente Trump e vários membros do gabinete repetiram, como um mantra, que a chave para a solução para a crise de separação de famílias está no Congresso, que devia aprovar uma lei migratória.

Em incontáveis mensagens e declarações, Trump responsabilizou diretamente os congressistas do Partido Democrata, os quais acusou de obstruir o caminho para uma solução. Na verdade, as negociações afundaram por divisões entre os republicanos.

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A discussão de uma lei de reforma do sistema migratório se movia com avanços e recuos no Congresso, há algum tempo, mas o tema se acelerou significativamente a partir de maio, logo após a adoção da política de "tolerância zero" com a imigração ilegal.

Definida pelo procurador-geral Jeff Sessions, essa política determina que todos os adultos que entrarem de modo ilegal nos EUA devem ser detidos e processados criminalmente.

Para milhares de famílias, isso significa que seus filhos menores de idade são separados e retidos em albergues dispersos por todo país.

De acordo com dados oficiais, entre 5 de maio e 9 de junho, 2.342 menores foram separados de suas famílias e são mantidos detidos pelas autoridades em centros temporários de acolhida divididos por grades que se parecem com jaulas.

Na quarta-feira, Trump assinou um decreto, pondo fim à separação de famílias na fronteira, mas, até agora, não está claro como essa decisão será aplicada e quando se permitirá a reunificação das famílias agora separadas.

O projeto de lei que falta ser analisado no Congresso reforça, consideravelmente, a segurança na fronteira - uma exigência dos mais conservadores -, mas inclui dispositivos que são aceitáveis para os democratas.

Entre essas iniciativas, este projeto determina a proibição da separação de famílias de imigrantes e também formula uma solução definitiva para jovens que chegaram ao país quando crianças e que regularizaram sua situação durante o governo de Barack Obama - os chamados "dreamers".

Estimados em cerca de 700 mil em todo país, esses imigrantes em situação legal caíram em um limbo jurídico, depois que o presidente Trump decidiu não renovar seus vistos de residência.

A iniciativa inclui ainda um mecanismo para destinar recursos para a construção de um muro na fronteira com o México e põe um ponto final à migração de parentes de residentes.

Por enquanto, o Departamento de Saúde solicitou ao Pentágono que se prepare para abrigar em suas bases militares mais de 20.000 crianças que entraram desacompanhadas ao país, disse à France-Presse um funcionário do alto escalão. / AFP e NYT 

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