AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM

Trump diz que reunião com Putin será um êxito em longo prazo

Presidente americano diz que relação com líder russo 'está bem', projeta que 'muitas coisas positivas sairão' da reunião bilateral e garante que Moscou ajudará com a Coreia do Norte; embaixador russo em Washington nega que líderes tenham feito acordos secretos

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 10h52
Atualizado 18 Julho 2018 | 15h49

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta quarta-feira, 18, que sua reunião com Vladimir Putin poderá resultar em um êxito em longo prazo, enquanto tenta aplacar a irritação causada em Washington por suas declarações que pareceram minimizar a credibilidade dos serviços de inteligência americanos.

Estratégia de Trump é dizer e desmentir

"Putin e eu discutimos muitos temas importantes na nossa reunião anterior. Estamos bem, o que realmente incomodou muitos inimigos que queriam ver uma luta de boxe. Grandes resultados virão", publicou no Twitter.

Trump assegurou que sua reunião com Putin poderá resultar em "um êxito ainda maior" que seu encontro com os aliados tradicionais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizado na semana passada, acrescentando que o líder russo concordou em colaborar nos esforços de diálogo dos Estados Unidos com a Coreia do Norte.

"Se a reunião com a Otan em Bruxelas foi um triunfo reconhecido, com bilhões de dólares proporcionados pelos países membros a um passo mais acelerado, a reunião com a Rússia pode resultar, em longo prazo, em um êxito ainda maior", tuitou Trump antes de uma reunião de gabinete prevista para esta manhã.

"Muitas coisas positivas sairão dessa reunião", prosseguiu, garantindo que Moscou "concordou em ajudar com a Coreia do Norte". "(Este processo) está em andamento. Não há pressa e as sanções continuam! Grandes benefícios e um futuro emocionante para a Coreia do Norte no final!", escreveu o republicano.

Na terça-feira, Trump tentou apagar o incêndio político causado por suas declarações na cúpula bilateral com Putin na Finlândia, na segunda, afirmando que aceita a conclusão dos órgãos de inteligência sobre a ingerência russa nas eleições de 2016.

Em entrevista coletiva depois do encontro com o presidente russo, Trump havia dito que não via razões para que a Rússia exercesse ingerência nas eleições, ignorando a convicção dos órgãos americanos de Inteligência.

Putin precisa muito mais dos EUA

Este episódio deixou o republicano praticamente isolado nos Estados Unidos, e ele se tornou alvo de uma avalanche de críticas pesadas de aliados e adversários.

Na terça, em uma tentativa de apaziguar a crise, Trump alegou que se "expressou mal" na entrevista coletiva com Putin. "Eu disse que não via nenhuma razão para que tivesse sido a Rússia, mas queria ter dito que não havia razões para que não fosse, mas achei que não seria tão claro com uma dupla negativa", explicou Trump.

Embora o presidente admitisse a possibilidade de ingerência de Moscou, ele ressaltou que "as ações da Rússia não tiveram qualquer impacto no resultado" das eleições.

Negativa

O embaixador russo em Washington, Anatoli Antonov, negou nesta quarta-feira em Moscou que Putin e Trump tenham feito acordos secretos durante a reunião entre ambos em Helsinque.

"Vladimir Vladimirovich (Putin) disse tudo, não houve acordos secretos. Sei das reuniões realizadas em Helsinque, não houve acordos", disse Antonov à imprensa russa.

Ao falar sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições dos EUA, o diplomata usou o ditado russo que diz: "de cem ratos nunca farás um tigre". "Por mais suspeitas que existam, a nossa principal exigência é que as provas sejam colocadas sobre a mesa", insistiu.

De acordo com o diplomata, os governantes não conversaram sobre as sanções impostas à Rússia, mas sim de cooperação econômica.

"Estamos abertos ao diálogo com os EUA e tudo depende de até que ponto eles estão dispostos a iniciar os acordos de boca que fizeram na reunião", ressaltou.

Antonov indicou que a Rússia tentará ajudar Trump a normalizar as relações bilaterais, mas admitiu que isso não será fácil para o presidente americano. "Acho que (Trump) terá muita dificuldade. Pelo menos, tentaremos ajudar no que pudermos os nossos colegas americanos", disse o embaixador russo. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.