REUTERS/Leah Millis
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Trump diz que Rússia não interfere mais no sistema político dos EUA

Presidente americano contradiz novamente serviços de inteligência de seu país e defende posição oficial do Kremlin; nesta semana, diretor de inteligência de Washington disse que Moscou mantém 'esforços ainda ativos e generalizados para minar a democracia'

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 15h30
Atualizado 18 Julho 2018 | 19h27

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 18, que a Rússia não interfere mais no sistema político americano, o que contradiz a posição do diretor de inteligência do país, Dan Coats.

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Questionado por uma jornalista sobre a questão, o presidente americano balançou a cabeça e respondeu apenas com um "não". A opinião do republicano, no entanto, vai no sentido contrário do que afirmam as agências de inteligência do país. Na segunda-feira Coats divulgou comunicado expressando que, além de interferir na eleição presidencial de 2016, a Rússia mantém "esforços ainda ativos e generalizados para minar a democracia".

Horas depois da resposta de Trump, no entanto, a Casa Branca negou que o presidente tenha dito que a Rússia não interfere mais país e explicou que o "não" de Trump para a jornalista tinha como objetivo dizer que ele se recusava a responder a pergunta.

"O presidente... Estava dizendo que 'não' responderia perguntas", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders. "O presidente e seu governo estão trabalhando duro para garantir que a Rússia seja incapaz de interferir nas nossas eleições como já fizeram no passado."

A Casa Branca e muitos membros do Congresso americano estão preocupados com a possibilidade de a Rússia influenciar na eleição legislativa de meio de mandato, em novembro, mas as declarações de Trump parecem dar pouca importância para essa possibilidade.

"Nenhum presidente foi mais duro do que eu com a Rússia. Acredito que (Vladimir) Putin sabe isso melhor do que ninguém, certamente muito melhor do que os meios de comunicação (dos EUA)", disse o presidente americano, também nesta quarta, durante uma reunião com seu gabinete.

Estratégia de Trump é dizer e desmentir

"(Putin) entende isso e não gosta - e ele não deveria gostar - porque nunca houve um presidente tão duro como eu", completou Trump.

O mandatário garantiu que sua política de pressionar Moscou "vai muito bem" e citou as sanções que seu governo impôs contra a Rússia por vários motivos.

Na noite desta quarta-feira, Trump reiterou em entrevista à CBS que na cúpula com Putin disse que ao líder russo que Washington não aceitaria a ingerência de Moscou em seu processo político. "Fui muito firme no fato de que não podemos ter ingerência, não podemos ter nada disto", declarou Trump à CBS.

Na terça-feira, Trump recuou e mudou de posição para tentar minimizar a polêmica causada por suas declarações ao lado de Putin, na segunda-feira, após uma reunião bilateral dos dois em Helsinque, na Finlândia, na qual ele deu mais credibilidade ao líder russo sobre a suposta interferência russa na votação de 2016 do que às conclusões da inteligência dos EUA.

"Me expressei mal (...) Quis dizer que não vejo razão para que a Rússia não estivesse por trás (da interferência)", disse o presidente americano ao mudar sua versão na tarde de terça-feira. / EFE

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