REUTERS/Carlos Barria
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Trump diz que Rússia pode ter interferido na eleição americana

Em entrevista na Polônia, presidente dos Estados Unidos também criticou 'comportamento desestabilizador' de Moscou; porta-voz disse que Kremlin discorda da avaliação do republicano e lamenta a falta de entendimento quanto às expectativas para futuras relações

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 10h00

VARSÓVIA - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta quinta-feira, 6, que a Rússia pode ter interferido na eleição americana de 2016 que o levou ao poder, mas afirmou que outros países também poderiam estar envolvidos.

"Eu penso que poderia muito bem ter sido a Rússia. Acho que poderiam ter sido outros países. Não serei específico. Mas eu acho que muitas pessoas interferiram", afirmou Trump em um discurso na Polônia.

Na capital polonesa, onde iniciou sua viagem europeia de quatro dias, Trump declarou que os EUA trabalham com seus aliados para se oporem "às ações da Rússia e a seu comportamento desestabilizador". O republicano criticou a forma de agir de Moscou na véspera de uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, à margem da cúpula do G-20, na Alemanha. 

Em resposta às declarações de Trump, o Kremlin disse nesta quinta-feira não concordar com a afirmação de que a Rússia se comporta de forma "desestabilizadora". "Discordamos de tal abordagem", disse o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, a repórteres em Moscou. O funcionário do governo de Putin disse também que o país lamenta a falta de entendimento entre a Rússia e os Estados Unidos quanto às expectativas para suas futuras relações.

"Isto é exatamente o motivo pelo qual estamos aguardando a reunião entre os dois presidentes", disse o porta-voz. "Eles poderão trocar pessoalmente suas ideias sobre as questões mais atuais e, o que é mais importante, essa será uma oportunidade para se familiarizar e, finalmente, compreender a verdadeira abordagem mútua entre as relações bilaterais, e não a abordagem que é transmitida pela imprensa."

Divergências

Trump iniciou seu giro europeu pela Polônia, um país pró-EUA e cujos dirigentes conservadores se dizem próximos das ideias defendidas pelo americano. 

É uma primeira etapa fácil antes de se dirigir na noite desta quinta a Hamburgo, onde os líderes dos 20 países mais industrializados e emergentes o esperam para tratar de vários temas complexos, em meio às tensões transatlânticas e à ameaça nuclear da Coreia do Norte.

O contexto da viagem de Trump, no entanto, se agravou ainda mais na terça-feira depois do teste que Pyongyang realizou com um míssil intercontinental capaz, segundo especialistas, de alcançar o Alasca.

"Chamo todas as nações a enfrentarem esta ameaça global e demonstrarem publicamente para a Coreia do Norte que há consequências para seu comportamento muito, muito mau", disse Trump em Varsóvia. "A experiência da Polônia nos lembra que a defesa do Ocidente deve ter como base em última instância não só os meios, mas também a vontade de seus habitantes de se impor."

Segunda viagem

Esta é a segunda vez que Trump vai à Europa desde que assumiu a Casa Branca, em 20 de janeiro. Desta vez, ele está acompanhado da mulher, Melania, da filha, Ivanka, e do genro Jared Kushner. Na primeira viagem, em maio, Trump revelou a profunda desconfiança de ambos os lados do Atlântico.

"Depois de sua viagem desastrosa a Bruxelas e Taormina, imagens sorridentes com líderes europeus e multidões aplaudindo Trump poderiam ajudar a reparar a sua imagem nos Estados Unidos", acredita Piotr Buras, Conselho Europeu de Relações Exteriores, uma think tank pan-europeia. / AFP e REUTERS

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