AP Photo/Jacquelyn Martin
AP Photo/Jacquelyn Martin

Trump diz que se reunirá com Taleban 'em futuro não muito distante'

Governo assinou acordo de paz com o grupo rebelde que abre caminho para retirada das tropas americanas no Afeganistão

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2020 | 19h25

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado, 29, que se reunirá com os líderes do Taleban "em um futuro não muito distante", após o governo americano ter assinado no Catar um acordo de paz com o grupo rebelde, de modo a encerrar a guerra no Afeganistão.

"Vou me encontrar pessoalmente com líderes do Taleban em um futuro não muito distante", disse Trump em coletiva de imprensa na Casa Branca sobre o coronavírus. Trump não esclareceu onde essa reunião seria realizada e respondeu que ainda analisará os detalhes. 

Ele afirmou ser possível encontrá-los em Washington ou até mesmo na residência presidencial em Camp David, em Maryland, onde chegou a planejar uma reunião no ano passado que acabou não acontecendo. Após quase duas décadas de guerra e mais de um ano de negociações, os Estados Unidos e o Taleban deram um passo histórico neste sábado, em Doha, ao assinarem um acordo de paz que prevê a retirada completa das tropas internacionais mobilizadas no Afeganistão.

Trump confirmou que os EUA reduzirão o contingente atual de cerca de 13 mil soldados no país, deixando cerca de 8.600. Perguntado quando as tropas americanas começarão a voltar para casa, respondeu: "Hoje. Vão começar a voltar imediatamente."

"Chegou o momento, depois de todos estes anos, de trazer o nosso povo para casa. Tem sido uma viagem longa e difícil para todos. Se acontecerem coisas ruins, voltaremos. Mas acho que isso não será necessário", explicou Trump.

O mandatário americano também ressaltou que "ninguém deve criticar este acordo após 19 anos" de guerra, quando questionado sobre declarações do antigo conselheiro de segurança nacional, John Bolton, de que o pacto está "no estilo do (ex-presidente Barack) Obama" e "legitima o Taleban".

Trump agradeceu à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e parabenizou o presidente afegão, Ashraf Ghani, que agora deve iniciar um diálogo com o grupo insurgente para alcançar um cessar-fogo "permanente e abrangente".

Guerra do Afeganistão

A guerra do Afeganistão, iniciada em 7 de outubro de 2001, como resposta aos atentados do 11 de setembro, é o mais longo conflito protagonizado pelos Estados Unidos. Ao todo, as tropas americanas já contabilizaram 1.909 soldados mortos em combate e 20.717 feridos até 20 de fevereiro, segundo dados do Pentágono

Entre os países da Aliança, o Reino Unido é o segundo com o maior número de baixas, com 454 mortos em combate, seguido do Canadá, com 157. A ONU estima entre 32 mil e 60 mil como número de civis afegãos mortos durante a guerra. / AFP, REUTERS, AP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.