REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Trump diz que sua vida era mais fácil antes da presidência dos EUA

Em entrevista à agência Reuters, republicano admitiu ter uma nova percepção sobre as responsabilidades e implicações do cargo que ocupa e admitiu sentir falta de sua 'vida antiga'

O Estado de S.Paulo

28 Abril 2017 | 13h08

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, passou grande parte de 2016 - quando ainda era candidato à Casa Branca - dizendo que comandar o país seria uma tarefa fácil, ao menos para ele. Para o candidato Trump, construir o muro na fronteira com o México era algo fácil. Derrotar Hillary Clinton nas urnas, também. Renegociar o acordo nuclear com o Irã? Outra tarefa fácil, assim como pagar a dívida do país e agir como um presidente.

Nesta sexta-feira, 28, no entanto, o presidente Trump admitiu em entrevista à agência Reuters que agora tem uma percepção diferente sobre a posição de presidente dos EUA. "Eu amo minha vida antiga. Eu fazia muitas coisas. Isto (a presidência) é muito mais trabalhoso", disse o republicano.

"Pensei que seria mais fácil. Pensei que seria algo mais... Eu sou uma pessoa orientada a detalhes. Acho que você diria isso, mas sinto falta da minha velha vida. Eu gosto de trabalhar, isto não é um problema, mas isto (a presidência) é realmente mais trabalhosa."

Esta não foi a primeira vez que Trump admitiu que o seu trabalho atual é mais difícil do que ele poderia imaginar. Em novembro, a NBC News relatou que Trump teria dito ao antigo presidente da Câmara, Newt Gingrich, que "este é um trabalho maior do que imaginava".

O rico empresário de Nova York assumiu um cargo na administração pública pela primeira vez em sua vida quando entrou na Casa Branca em 20 de janeiro. Mais de cinco meses depois de seu triunfo nas urnas e na véspera de completar 100 dias no cargo, porém, a disputa eleitoral ainda continua em sua mente. 

Durante uma discussão sobre o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, por exemplo, Trump parou a entrevista para entregar copias do que ele afirmou serem os dados oficiais e finais do mapa eleitoral de 2016.

"Aqui, fique com isso, o mapa final (da eleição) com os números", disse o presidente ao entregar cópias da representação cartográfica do país com as áreas em que ele venceu pintadas de vermelho. "Foi muito bom, certo? O vermelho, obviamente, somos nós." Trump entregou uma cópia para cada jornalista que participou da entrevista no Salão Oval da Casa Branca.

Trump, que sempre se disse acostumado a não ter privacidade em "sua vida antiga", expressou surpresa, porém, em como sua vida nova conseguiu reduzir ainda mais esse aspecto. Ele fez questão de deixar claro que ainda estava se acostumando com o fato de ter proteção 24 horas por dia do serviço secreto do país e com suas restrições de acompanhamento.

"Você está realmente dentro deste seu próprio casulo porque você tem tanta proteção que não pode ir a lugar nenhum", disse o magnata. Quando o presidente americano deixa a Casa Branca, normalmente o faz em uma limousine ou em um SUV conduzidos por especialistas em manobras evasivas. Ele diz que sente falta, por exemplo, de dirigir o próprio carro. "Eu gosto de dirigir. Não posso mais fazer isso."

Muitas coisas em Trump não mudaram de quando ele era um executivo de sucesso e ex-apresentador de reality show em comparação com o Trump presidente dos EUA. Ele constantemente recorre a amigos e ex-colegas de negócio para se aconselhar e procurar reforço positivo de suas opiniões - algo que deixa seus assessores seniores resignados. / REUTERS e WASHINGTON POST

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