Brynn Anderson/AP
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Trump diz que míssil testado por Irã pode chegar a Israel e ameaça acordo nuclear

Armamento pode percorrer cerca de 2 mil km e foi disparado no fim de uma semana agressiva na Assembleia-Geral da ONU em que o presidente americano acusou o Irã de desestabilizar o Oriente Médio

O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2017 | 20h42
Atualizado 23 Setembro 2017 | 21h41

WASHINGTON - O teste de um novo míssil de médio alcance por parte do Irã colocou em xeque o acordo nuclear com os Estados Unidos e outras potências, declarou neste sábado, 23, o presidente americano, Donald Trump, que acusou Teerã de ser conivente com a Coreia do Norte. O presidente disse, ainda, que o novo míssil, testado com êxito segundo uma televisão estatal iraniana, pode alcançar Israel.

"O Irã acaba de testar um míssil balístico capaz de chegar a Israel. Eles também estão trabalhando com a Coreia do Norte. Não temos muito de um acordo!", tuitou Trump.

O míssil pode percorrer cerca de 2 mil quilômetros e tem capacidade de transportar múltiplas ogivas. As declarações do republicano foram dadas depois que uma televisão estatal iraniana divulgou que o país testou com sucesso seu novo míssil balístico batizado de "Khoramshahr". A televisão difundiu imagens do lançamento, que foi feito em um lugar desconhecido, e do interior do míssil. Na véspera, o míssil foi exibido em um desfile militar que recordou a guerra desatada pelo Iraque contra o Irã em 1980.

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O teste acontece ao fim de uma semana de diplomacia agressiva na Assembleia-Geral da ONU em Nova York, onde Trump novamente acusou o Irã de desestabilizar o Oriente Médio, chamando-o de "Estado desonesto cujas principais exportações são violência, derramamento de sangue e caos".

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Em seu discurso nesta terça-feira na ONU, Trump declarou que o acordo nuclear é "uma vergonha" e que seu governo poderia abandoná-lo se suspeitasse que "fornece cobertura para a possível construção de um programa nuclear ".

O acordo nuclear não proíbe as atividades balísticas por parte do Irã, mas a resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, que o ratificou, pede que Teerã não realize testes para desenvolver mísseis elaborados para transportar ogivas nucleares.

Os iranianos afirmam que os mísseis de seu país não foram criados para incorporar ogivas nucleares e que, além disso, Teerã não tem qualquer programa para fabricar armas nucleares.

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Os lançamentos anteriores de mísseis iranianos desencadearam sanções e acusações dos EUA de que eles violariam o espírito do acordo nuclear de 2015 entre Teerã e as grandes potências.

O presidente dos Estados Unidos ameaçou declarar o Irã em violação do acordo de 2015, a menos que este seja expandido para punir o Irã pela busca de um programa de mísseis balísticos e pelo patrocínio a grupos militantes estrangeiros. / AFP E EFE

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