REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Trump anuncia sanções ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei

Presidente assina decreto com punições ao chefe religioso e político do país em meio à crescente tensão entre Washington e Teerã

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2019 | 12h59
Atualizado 24 de junho de 2019 | 20h43

WASHINGTON - Depois de impor sanções a mais de 80% da economia iraniana, o presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira, 24, pela primeira vez, penalidades econômicas ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. A medida intensifica a política americana de pressão sobre os líderes iranianos em retaliação ao que os EUA têm se referido como recentes atos de agressão de Teerã. 

Segundo o presidente americano, o líder supremo e seu gabinete serão impedidos de acessar o sistema financeiro internacional. O governo dos EUA tem alegado que Khamenei tem uma vasta riqueza responsável principalmente pela manutenção da Guarda Revolucionária – a guardiã do regime. 

Em carta aberta publicada no ano passado, o secretário de Estado, Mike Pompeo, sugeriu que a fortuna do líder supremo poderia chegar a US$ 95 bilhões. Em um post no Facebook, a Embaixada dos EUA em Bagdá afirmou que toda a fortuna estaria estimada em US$ 200 bilhões. 

O Departamento do Tesouro americano também impôs sanções a oito comandantes militares iranianos, incluindo o chefe da unidade que os americanos alegam ter sido responsável por derrubar um drone na quinta-feira. O nome do chanceler iraniano, Mohamed Javad Zarif, também foi incluído na lista e deve receber sanções ainda esta semana. 

O anúncio de Trump foi feito em um momento de escalada de tensões com o Irã, agravado em parte pela preocupação de que Teerã esteja acumulando mais combustível nuclear. O presidente argumenta que prefere endurecer as sanções do que lançar um ataque militar para pressionar a mudança de comportamento do país. A Casa Branca já havia trabalhado para cortar as receitas das exportações de petróleo do país, força vital da economia iraniana. 

Segundo Trump, que exibiu o decreto depois de assiná-lo, no Salão Oval da Casa Branca, as sanções têm como objetivo “impedir os mais altos líderes iranianos de utilizar o sistema bancário internacional ou qualquer outro veículo financeiro estabelecido pelas nações europeias ou de outras nacionalidades”. 

No entanto, líderes iranianos não costumam manter ativos substanciais em bancos internacionais ou em qualquer outro, nem usam essas instituições para transações. Com isso, a pressão das novas sanções deverá ter pouco impacto.

O governo americano agora aguarda para ver se as penalidades já impostas forçarão os líderes iranianos a se renderam às demandas dos EUA em troca de alívio econômico. 

Teerã, por sua vez, sugeriu que poderia discutir novas concessões com Washington se os EUA levantarem algumas dessas sanções e oferecerem incentivos financeiros. Em entrevista em Teerã, o porta-voz da chancelaria, Seyyed Abbas, disse que o país está aberto à redução das tensões. “Há algum tipo de sanção que os EUA ainda não impuseram sobre nós recentemente ou nos últimos 40 anos? E eles têm ganhado alguma coisa com isso?”, questionou. 

A situação entre os dois países – que romperam relações em 1979 – se agravou no ano passado, quando o governo Trump decidiu retirar os EUA do acordo de 2015 para limitar o programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções. 

Desde então, Washington já impôs mais de mil sanções contra os iranianos que têm feito sangrar a economia do país. Ainda hoje, o preço do barril de petróleo voltou a cair, assim como na semana passada, em meio aos temores de um conflito no Oriente Médio. 

A taxa de inflação no Irã subiu para cerca de 50% e muitos iranianos estão insatisfeitos com a economia, mas os líderes têm historicamente demonstrado que podem aguentar a pressão de sanções por muitos anos. 

Questionado por repórteres se as novas sanções foram uma resposta à derrubada do drone americano no Estreito de Ormuz, na semana passada, Trump respondeu que “provavelmente” esse episódio poderia ter influenciado a decisão, mas garantiu que as medidas seriam impostas “de qualquer jeito”.

As sanções foram anunciadas após o chefe da Marinha do Irã alertar hoje aos EUA que as forças iranianas poderiam derrubar outros drones de vigilância se eles violassem o espaço aéreo iraniano. Os comentários foram feitos ao mesmo tempo em que Mike Pompeo desembarcava na Arábia Saudita para conversar com aliados árabes no Golfo Pérsico sobre a crise. 

Diálogo

O Conselho de Segurança da ONU emitiu uma declaração unânime na qual pede diálogo e medidas para apaziguar as tensões no Golfo Pérsico, além de condenar os recentes ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz, uma ameaça ao fornecimento mundial de petróleo, à paz e à segurança internacionais, segundo o texto da ONU. 

Apesar de Trump afirmar ter cancelado no último instante ataques em represália pela queda do drone, a imprensa americana informou que os EUA lançaram um ataque cibernético no fim de semana contra os sistemas de controle de mísseis e de uma rede de espionagem iranianos. / NYT, W. POST, AP, REUTERS, AFP 

 

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