Mandel Ngan/AFP
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Trump promete nomear uma mulher à Suprema Corte até o fim de semana

Presidente diz que deve fazer a indicação entre sexta e sábado, depois do enterro de Ginsburg; republicanos se articulam no Senado para votação de novo nome na Casa, mas há aliados que discordam da iniciativa a pouco tempo das eleições

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 09h49
Atualizado 21 de setembro de 2020 | 21h57

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu nesta segunda-feira, 21, que indicará até o fim de semana uma mulher para ocupar a vaga de Ruth Bader Ginsburg na Suprema Corte. De acordo com o presidente, a indicação só será feita após o funeral de Ginsburg, que morreu na sexta-feira. Os republicanos correm contra o tempo para aprovar a substituta antes da eleição ou, no máximo, antes da posse do novo Congresso, em janeiro.

“Acho que (a indicação) será na sexta-feira ou no sábado, porque queremos prestar nossas homenagens (a Ginsburg). Parece que, provavelmente, teremos cultos na quinta-feira ou na sexta-feira, pelo que entendi. E acho que, com todo o respeito, devemos esperar até que as cerimônias terminem”, disse o presidente no programa de TV Fox & Friends. 

A única certeza, até agora, é que será uma mulher, de acordo com o próprio presidente. “Será uma mulher. Uma mulher talentosa e brilhante”, disse Trump no sábado, em um comício na Carolina do Norte, para uma plateia que gritava sem parar: “Ocupe a vaga!” 

Por enquanto, a favorita é a juíza Amy Coney Barrett, do Tribunal de Apelações do 7.º Circuito dos EUA, em Chicago. Também na lista de Trump estão a juíza Barbara Lagoa, do 11.º Circuito de Atlanta, segundo fontes próximas ao processo, e Kate Comerford Todd, conselheira do presidente. Mark Meadows, o chefe de gabinete da Casa Branca, estaria tentando emplacar o nome de Allison Jones Rushing, do 4.º Circuito, de Richmond, mas aos 38 anos ela é considerada jovem demais por muitos assessores.

Hoje, os senadores retornaram a Washington e devem mergulhar em negociações para a confirmação de um nome. Mitch McConnell, líder dos republicanos no Senado, trabalha nos bastidores para garantir o apoio para acelerar o processo de nomeação – os republicanos têm maioria de 53 dos 100 senadores. 

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No entanto, no fim de semana, duas senadoras republicanos, Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, rejeitaram publicamente a ideia de aprovar o nome de alguém antes da eleição de 3 de novembro, o que significa que McConnell só pode perder mais um voto – o empate no Senado é sempre decidido com o voto do vice-presidente, no caso o republicano Mike Pence.

Por isso, as atenções estão voltadas agora para os senadores republicanos que costumam atuar de maneira mais independente: Mitt Romney, ex-candidato presidencial e desafeto de Trump, Cory Gardner, um moderado que disputa uma reeleição difícil no Colorado, e Chuck Grassley, que já defendeu no passado que em casos semelhantes a escolha deve ser do próximo presidente. 

Os democratas, que não têm o poder de bloquear a confirmação da Suprema Corte, estão usando as armas que têm para pressionar os republicanos moderados. O senador Chuck Schumer, líder da minoria, disse que todas as hipóteses estão na mesa, caso os democratas assumam o controle do Congresso, em novembro. 

Entre as ameaças estão a abolição de um procedimento de obstrução das votações muito usado pelos republicanos – que permitira passar leis progressistas em um Senado dominado por democratas – e até o aumento do número de juízes da Suprema Corte, considerada uma opção radical até mesmo entre a bancada democrata. 

As primeiras pesquisas realizadas após a morte de Ginsburg mostram uma disputa inalterada, com Biden liderando as sondagens nacionais, com uma média de 7 pontos porcentuais de vantagem, e obtendo bons resultados nos Estados. Analistas, porém, dizem que ainda é cedo para determinar o impacto da guerra pela Suprema Corte na corrida eleitoral. / NYT e WP

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