Nicholas Kamm / AFP
Nicholas Kamm / AFP

Trump diz que versão do governo saudita sobre morte de jornalista é 'crível'

Presidente crê que prisão de suspeitos é 'bom primeiro passo', depois reconhece que respostas de Riad não são satisfatórias

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2018 | 13h00
Atualizado 21 de outubro de 2018 | 15h54

O presidente Donald Trump achou razoável a explicação do governo da Arábia Saudita de que o jornalista Jamal Khashoggi teria morrido durante uma briga dentro do consulado árabe em Istambul, na Turquia, no início de outubro.

Questionado na sexta-feira, 19, por um jornalista durante um evento no Arizona sobre se a versão do governo saudita seria “crível”, Trump respondeu “sim, sim” e afirmou que a prisão de 18 pessoas por parte de Riad representa um “bom primeiro passo”.

O presidente estadunidense também alegou que não acredita que as autoridades saudistas tenham mentido para ele em conversas recentes, e também que preferia que qualquer eventual sanção dos Estados Unidos aos árabes não envolvesse contratos de venda de armas.

“Eu preferiria. Se vai haver alguma forma de sanção ou o que devemos fazer, se é que há algo... que não se cancelem os bilhões de dólares de valor de trabalho, que significam 600 mil empregos”, afirmou o presidente, referindo-se ao acordo sobre armas com o reino saudita.Nas últimas semanas, Trump se posicionou de formas contraditórias sobre o caso Khashoggi: prometeu respostas severas, mas também disse que os Estados Unidos quer preservar sua relação com o reino conservador da Arábia Saudita. Na sexta, o presidente disse que o Congresso dos EUA terá papel importante na resposta do país a Riad em relação à morte do jornalista, mas que levará em conta que o reino é um “país muito rico”, com mais de 450 bilhões de dólares comprometidos em “compras e investimentos” em relação aos Estados Unidos.  

Khashoggi desapareceu no dia 2 de outubro, após entrar no consulado saudita em Istambul para buscar documentos que necessitava para se casar com a namorada.

Inicialmente o governo saudita não reconheceu a morte do jornalista, mas a pressão da comunidade internacional fez o reino admitir que ele morreu dentro do consulado, utilizando a versão da briga. Veículos de imprensa da Turquia e dos Estados Unidos, contudo, afirmam ter provas que Khashoggi foi assassinado por agentes sauditas próximos ao príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, que haviam desembarcado em Istambul horas antes.

Governo dos Estados Unidos lamenta morte

Após o reconhecimento da morte por parte do governo saudita, a Casa Branca emitiu um comunicado na qual expressa tristeza pela morte do jornalista, que vivia nos Estados Unidos e escrevia para o Washington Post, e afirmou que vai acompanhar de perto as investigações sobre o “trágico acidente”.

"Estamos tristes de saber da confirmação da morte de Khashoggi e oferecemos as nossas mais sentidas condolências à família, à namorada e aos seus amigos", disse em comunicado a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Horas depois, Trump muda o tom

Depois de dizer que a versão do governo saudita sobre a morte de Khashoggi era “crível”, Donald Trump voltou atrás. Na tarde de sábado, presidente declarou que ainda “não está satisfeito” com a explicação de Riad sobre o assassinato e reconheceu que várias questões ainda não foram respondidas. / AFP e EFE

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