Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Trump domina início do debate republicano mesmo sem estar presente

Pré-candidatos republicanos realizaram o último debate antes das primárias e trocaram ataques em torno de temas como imigração 

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2016 | 09h34

WASHINGTON - Chamado de "o elefante fora da sala" pela moderadora Megyn Kelly e de "urso de pelúcia" pelo ex-governador Jeb Bush, o bilionário Donald Trump dominou o início do último debate republicano antes da primeira prévia das eleições presidenciais americanas, mesmo estando ausente do pódio. A poucos quilômetros de distância, o bilionário comandou seu próprio evento em favor de veteranos de guerra na capital de Iowa e se manteve como o pré-candidato mais mencionado no twitter ao longo da noite da quinta-feira 28.

Sem a presença do líder das pesquisas eleitorais, os participantes do debate trocaram ataques em torno de temas como imigração e combate ao terrorismo.  Bush foi um dos que mais se beneficiou da ausência de Trump e teve seu melhor desempenho dos sete debates realizados pelo Partido Republicano até agora. 

 

"Eu sinto falta de Donald Trump, ele era como um pequeno urso de pelúcia para mim. Nós sempre tivemos uma relação tão amável nesses debates", ironizou Bush, criticado com frequência pelo bilionário por sua suposta falta de energia e má performance nas pesquisas eleitorais. Filho e irmão de ex-presidentes americanos, ele amarga o quinto lugar na disputa, com cerca de 5% das intenções de voto.

Segundo colocado, o senador texano Ted Cruz foi o principal alvo de ataques dos adversários, em especial de seu colega Marco Rubio, que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas. Rubio acusou Cruz de mentir sobre suas posições em relação à reforma do sistema de imigração e de estar disposto a "dizer ou fazer qualquer coisa" para obter votos.

Trump decidiu boicotar o debate organizado pela Fox News depois de a emissora ter divulgado uma nota na qual tratava de maneira satírica suas críticas a Kelly, uma das mediadoras do evento. O bilionário levantou dúvidas sobre a isenção da apresentadora, que no ano passado o questionou sobre suas referências pejorativas a mulheres durante o primeiro debate promovido pela emissora. Depois daquele evento, Trump insinuou que Kelly havia sido agressiva por estar menstruada. 

Na quinta, a mediadora foi implacável na maioria de suas perguntas, duas das quais precedidas de vídeos que mostravam Cruz e Rubio defendendo posições em relação à imigração distintas das que propõem durante a atual campanha eleitoral. 

Em entrevista à CNN pouco antes do evento em favor dos veteranos, Trump disse ter recebido um pedido de desculpas da Fox News acompanhado de um apelo em favor de sua participação no debate. A emissora deu uma versão distinta e afirmou em nota que o bilionário condicionou sua presença à doação de US$ 5 milhões a suas instituições de caridade, o que foi negado.  

O debate foi o último antes das prévias de Iowa, na segunda-feira, que darão início à sucessão de decisões estaduais sobre a definição dos candidatos à presidência das duas grandes legendas dos EUA. Trump lidera a corrida no Partido Republicano em Iowa, enquanto os democratas Hillary Clinton e Ben Sanders estão tecnicamente empatados.

No evento que promoveu na noite de quinta, Trump foi acompanhado de dois pré-candidatos que não registraram intenções de voto suficientes para participar do debate principal promovido pela Fox News: Micke Huckabee Rick Santorum, que venceram as prévias de Iowa em 2008 e 2012, respectivamente. 

Ambos são evangélicos e podem ajudar Trump a conquistar os votos desse grupo, que representa 60% dos eleitores republicanos do Estado. O apoio de ambos ao bilionário foi um golpe para o também evangélico Cruz, que aposta nesses votos para manter sua posição ou vencer Trump em Iowa.

Mas foi Rubio o responsável pelas mais explícitas referências religiosas durante o debate. Perguntado sobre uma capa da revista Time que o apresentava como "salvador" do Partido Republicano, ele respondeu: "Existe apenas um salvador e não sou eu. É Jesus Cristo que veio à Terra e morreu por nossos pecados."

Católico com passagens por uma igreja evangélica e batismo como mórmon, Rubio disse que sua fé influenciaria sua eventual presidência e sua maneira de governar. "Meu objetivo não é simplesmente viver na Terra por 80 anos, mas viver na eternidade com o meu Criador. Eu sempre vou permitir que a fé influencie tudo o que eu faço."

Rubio também apresentou a visão mais agressiva da política externa americana e criticou Cruz por ter votado contra o aumento dos gastos militares do país. O senador texano deu uma resposta tortuosa, na qual sustentou que o corte de impostos que propõe levará ao crescimento econômico e, por tabela, à expansão dos recursos destinados ao Departamento de Defesa.

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