Kevin Lamarque/ Reuters
Kevin Lamarque/ Reuters

Trump e Bolsonaro se encontram na Flórida para discutir crise na Venezuela

Brasileiro deve jantar em Mar-a-Lago, resort do presidente americano; viagem oficial terá assinatura de acordos bilaterais nos setores de defesa e comércio, reuniões com empresários e políticos locais

Beatriz Bulla, Enviada especial a Miami

06 de março de 2020 | 12h03
Atualizado 06 de março de 2020 | 23h20

MIAMI - O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou nesta quinta-feira, 6, que receberá Jair Bolsonaro na noite deste sábado, 7, em um jantar em Mar-a-Lago, seu resort no sul da Flórida. A secretária de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, emitiu nota com detalhes do que será conversado entre os dois chefes de Estado: Oriente Médio, Venezuela e políticas comerciais.

“Vamos comer em Mar-a-Lago”, disse Trump. “Ele (Bolsonaro) queria jantar na Flórida.” Em comunicado, a Casa Branca disse que, entre os assuntos da pauta, está a “democracia venezuelana”. “O presidente Trump e o presidente Bolsonaro discutirão oportunidades para construir um mundo mais próspero, seguro e democrático. Como líderes das duas maiores economias da região, eles discutirão oportunidades para restaurar a democracia na Venezuela, levar paz ao Oriente Médio, implementar políticas comerciais pró-crescimento e investir em infraestrutura”, informou a nota oficial do governo dos EUA.

Sobre suas expectativas para a viagem, Bolsonaro disse que faz parte do processo de reaproximação com o governo americano. “Eu vejo que, depois de longos anos, décadas, de os governos brasileiros terem uma certa desconfiança do governo americano, essa desconfiança acabou, e queremos nos unir, nos aproximar cada vez mais”, afirmou.

Agenda cheia

O Itamaraty afirmou que Bolsonaro visitará no domingo o Comando Sul, que supervisiona as Forças Armadas dos EUA na América Latina e Caribe, na cidade de Doral, perto de Miami. Segundo a imprensa americana, deve ser firmado um acordo bilateral na área de defesa em que o Brasil se tornará um aliado estratégico dos EUA na Otan. 

No Comando Sul, Bolsonaro deve se reunir com o almirante da Marinha dos EUA, Craig Faller, que chefia o setor. Durante a visita, o presidente brasileiro também se reunirá com os dois senadores da Flórida, Rick Scott e Marco Rubio, ambos republicanos e aliados próximos de Trump. 

Bolsonaro já se encontrou com o presidente americano outras três vezes no último ano: em março, na Casa Branca; em julho, durante reunião de cúpula do G-20, em Osaka, no Japão; e em setembro, durante a abertura da Assembleia-Geral da ONU.

Nos encontros, Bolsonaro fez questão de mostrar admiração por Trump e mergulhou na campanha eleitoral americana, repetindo que apoia a reeleição do republicano. As eleições presidenciais nos EUA acontecerão em novembro.

Bolsonaro deve chegar a Miami no fim da tarde deste sábado, para uma viagem que o Palácio do Planalto já pensou em fazer outras vezes no ano passado. A agenda do presidente brasileiro prevê ainda seminários com integrantes do setor empresarial. No mês passado, Bolsonaro disse que pretendia usar a viagem à Flórida para tentar um acordo com a Tesla, fabricante de carros elétricos, para montar uma fábrica no Brasil.

Na segunda-feira, durante seminário com empresários, Bolsonaro deve assinar um acordo de defesa para aprofundar a cooperação entre os dois países, o RDTE (Pesquisa, Desenvolvimento, Testes e Avaliações). Na terça-feira, o brasileiro estará em um evento organizado pelo empresário Mario Garnero, sobre relação entre os dois países. 

O chanceler Ernesto Araújo também estará na comitiva presidencial. Após a passagem por Miami, ele segue para Washington, onde terá um encontro com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e deve estar presente em cerimônia para assinar, no Tesouro americano, a adesão do Brasil ao programa “América Cresce”, para financiamento de projetos em infraestrutura.

Segundo declaração de Araújo, na quinta-feira, em uma sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o alinhamento com os EUA é importante para o Brasil, que acompanha de perto as eleições americanas. “Estamos trabalhando com o governo do presidente Trump com quem temos aberto tantas novas oportunidades, vamos ver o qual é o resultado da eleição”, disse. / COLABOROU EMILLY BEHNKE, COM AGÊNCIAS 

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