AP Photo/Seth Perlman
AP Photo/Seth Perlman

Trump e líder republicano se reúnem em Washington

Virtual candidato presidencial republicano mantém encontro com presidente da Câmara dos Representantes

O Estado de S. Paulo

12 Maio 2016 | 19h40

WASHINGTON - O virtual candidato presidencial republicano, Donald Trump, e o presidente da Câmara dos EUA, Paul D. Ryan, deram nesta quinta-feira, 12,  o primeiro passo para superar o impasse político entre os dois e tornar viável a campanha presidencial do bilionário.

 

Ambos entraram em colisão na semana passada quando Ryan indicou que “não estava pronto” para apoiar Trump, alegando preocupações com seu estilo e sua agenda política. Os dois se encontraram ontem de manhã na sede do Comitê Nacional Republicano, em Washington, e foram recebidos pelo presidente do comitê, Reince Priebus.

Ryan não disse em público que apoiaria Trump e duas pessoas informadas sobre o encontro privado afirmaram que não foi discutido um possível apoio. Mas, entusiasmado ao fim da reunião, Ryan garantiu que não havia a iminência de um rompimento irreparável.

Numa entrevista coletiva, ele disse que o encontro havia sido encorajador e agradável, mas seria necessário mais de uma reunião para unificar o partido. O líder adiantou que ele e Trump discutiram a separação constitucional dos poderes, juízes da Suprema Corte e aborto, entre outros assuntos. Trump, segundo ele, é uma pessoa “calorosa e autêntica”. 

“Donald Trump e eu temos nossas diferenças e as discutimos hoje”, disse Ryan, acrescentando: “Acredito que agora estejamos plantando as sementes de nossa união”. 

Com essa linguagem conciliatória, Ryan embarcou num jogo perigoso com a força volátil da personalidade do empresário - que o presidente da Câmara qualificou de “muito boa” - e com a tendência de Trump a ser um camaleão político. 

Ainda assim, Ryan corre o risco de alinhar-se com Donald Trump apenas para talvez se deparar, daqui a semanas ou meses, com outra versão do político e as declarações que considera insustentáveis e mesmo repugnantes.

Os comentários de Ryan sobre Trump devem ajudar a diminuir o atrito entre os dois campos, talvez até a dar ao presidente da Câmara e seu grupo algum tempo extra enquanto decidem como trabalhar com o novo líder. O próximo passo, diz Ryan, será o “aprofundamento em áreas políticas” nas quais possa haver desentendimentos entre republicanos do Congresso e Trump.

Ryan e Trump divergem em temas que incluem imigração, comércio e programas governamentais de aposentadoria. 

Trump e seus críticos na liderança partidária têm procurado nos últimos dias apresentar ao menos a aparência de unidade. Numa entrevista na CNN, Priebus disse que a “química” entre Trump e Ryan era “muito boa”. E, se Ryan não deu a entender que está pronto a declarar apoio a Trump, também não indicou que pretenda manter suas conhecidas críticas ao provável candidato republicano. 

Para enfrentar a possível oponente democrata, Hillary Clinton, Trump dependerá do sucesso em levantar dinheiro com os grandes doadores e de provar ao eleitor médio que é mais que um populista incendiário.

O clima em torno do encontro de ontem teve um toque de show de variedades. Do lado de fora, a confusão de câmeras, repórteres, militantes partidários e curiosos foi engrossada por um pequeno grupo de manifestantes cantando “R.I.P., G.O.P” (algo como “adeus, Partido Republicano”. 

Um deles usava um cabeção de papier-maché com a legenda “Trump” e carregava uma estereotipada bolsa de dinheiro.

Dentro do prédio, jovens empregados do Comitê Nacional Republicano espremiam-se contra as vidraças, olhando e tirando fotos. / NYT

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