AFP PHOTO / POOL / Christophe LICOPPE
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Trump e Macron se encontram em Bruxelas para discutir Otan

Presidentes dos EUA e da França se reuniram às margens da cúpula da Aliança Atlântica que discute o aumento dos gastos militares da Europa e o foco no combate ao terrorismo

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 16h16

PARIS - Os presidentes da França, Emmanuel Macron, e dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontraram nesta quinta-feira, 25, pela primeira vez às margens da reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Como de praxe, os dois líderes, que têm visões políticas antagônicas em quase todos os temas, reafirmaram o interesse em "trabalharem juntos ". O primeiro tema é urgente: a reforma da Aliança Atlântica, que terá mais financiamento da Europa e foco no combate ao terrorismo. Na prática, Trump já ganhou a queda de braço. 

O encontro de líderes que tomaram posse neste ano aconteceu com 15 minutos de atraso - da parte de Macron -, na embaixada dos Estados Unidos em Bruxelas. Em uma declaração em frente aos jornalistas, o americano foi simpático, elogiando o sucesso do francês na campanha presidencial, quando derrotou a nacionalista Marine Le Pen, do partido de extrema direita Frente Nacional - a preferida de Trump. "Você realizou uma campanha incrível e conquistou uma vitória formidável", afirmou o chefe da Casa Branca, que completou dando a mão a seu interlocutor: "O mundo inteiro comentou". 

Macron, por sua vez, não fez referências à vitória de Trump, em novembro, e preferiu destacar a importância da colaboração bilateral. "Eu estou muito feliz de poder, juntos, mudar muitas coisas", afirmou. " Temos uma agenda extremamente ampla para discutir sobre temas como a luta contra o terrorismo, a economia, os temas climáticos e energéticos ", enumerou Mácron.

As divergências sobre os temas elencados não são pequenas. O maior ponto de convergência é o terrorismo e o futuro de Bashar Assad à frente do regime da Síria. Sobre economia, Macron é pró-União Europeia e pró-acordos de livre-comércio, enquanto Trump manifesta reticências sobre os dois assuntos. Quando aos temas climáticos e energéticos, a França costurou o Acordo de Paris, em dezembro, que prevê a redução das emissões de gases de efeito estufa, enquanto Trump prometeu tirar os Estados Unidos do tratado, assinado por seu predecessor, Barack Obama. Macron pediu ao americano que não tome nenhuma decisão " precipitada " a respeito.

Ainda assim, os dois presidentes almoçaram juntos ontem para discutir as posições dos dois países. "Há temas sobre os quais nós não temos forçosamente a mesma leitura, há escolhas que foram feitas e nós discutimos os assuntos de forma extremamente direta, com uma vontade clara de reforçar a parceria e a cooperação em matéria de luta contra o terrorismo ", disse Mácron.

Os dois líderes estão em Bruxelas para participar da cúpula da OTAN. A reunião acontece em um clima de incerteza sobre o futuro da Aliança Atlântica, já que em sua campanha eleitoral Trump ameaçou abandonar a organização, que classificou de " obsoleta ". A condição para não fazê-lo, segundo o americano, seria ampliar o papel da aliança na luta contra o terrorismo e que os europeus ampliem seus gastos militares ao mínimo de 2% do PIB, conforme prevê o acordo entre as partes.

Todas as iniciativas foram atendidas pelos europeus. Depois de semanas de negociações, ficou acertado que a OTAN vai tomar parte na coalizão internacional que bombardeia o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Segundo Jens Stoltenberg, secretário-geral da aliança, essa era uma reivindicação dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido. Porém, segundo Stoltenberg, ainda não está certo que a organização se engajará em combates no Oriente Médio.

Mas na chegada à minicúpula, Trump demonstrou que espera a contribuição da OTAN na luta contra o Estado Islâmico. Referindo-se ao atentado de Manchester, que deixou 22 mortos e 59 feridos na segunda-feira, o presidente americano reiterou: " Quando vemos coisas assim, compreendemos a que ponto é importante ganhar essa batalha. E nós a ganharemos ".

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