Anna Moneymaker/NYT
Anna Moneymaker/NYT

Trump e Obrador se reúnem em meio a avanço do vírus nos EUA e no México

Encontro marca trajetória de dois presidentes que, apesar de ocuparem lados diferentes do espectro político, minimizam a gravidade da pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 21h45

WASHINGTON - Os presidentes Donald Trump, dos EUA, e Andrés Manuel López Obrador, do México, se reuniram nesta quarta-feira, 8, na Casa Branca. O primeiro encontro entre os líderes dos dois países vizinhos ocorreu no momento em que americanos e mexicanos registram recorde diários de novos casos de coronavírus – e Trump e Obrador são questionados em razão do avanço da pandemia.

 Nesta quarta, os EUA tiveram novamente mais de 50 mil casos em 24 horas e atingiram a marca de 3 milhões de infectados com 130 mil mortos. Os casos mais graves estão na Flórida, no Texas, no Arizona e na Califórnia. No total, quase 40 dos 50 Estados americanos registram um avanço da pandemia.

Na Flórida, 54 hospitais em 25 dos 67 condados relataram que não têm mais UTIs disponíveis – outros 30 têm mais de 90% de ocupação. Apenas 17% de um total de 6 mil leitos de UTIs estão disponíveis no Estado, que vem registrando cerca de 10 mil novos casos diários.

Já o México vem computando 6 mil novos casos em 24 horas e cerca de 900 mortosl. Obrador vem sendo responsabilizado pelo desastre. O presidente mexicano adotou um discurso que minimizou a pandemia, dizendo que o vírus era “menos que uma gripe”, e pediu que as pessoas saíssem de casa e comessem em restaurantes. Ele não usa máscara em público.

Talvez isso explique, segundo muitos analistas, a sintonia entre os presidentes dos EUA e do México, dois populistas que se apresentam em campos ideológicos antagônicos – Trump, um conservador, e Obrador, um progressista de esquerda. Nesta quarta, os dois saíram da reunião na Casa Branca prometendo cooperação.

“Os mexicanos são fantásticos. Gente muito trabalhadora”, disse Trump, que em 2016, ao lançar sua campanha à presidência dos EUA, havia chamado os imigrantes mexicanos “estupradores” e “criminosos”. Obrador retribuiu a gentileza. “O senhor não nos tratou como colônia, pelo contrário, honrou nossa condição de nação independente. Por isso estou aqui. 

Para dizer ao povo dos EUA que seu presidente se comportou com bondade e respeito.” 

Obrador se submeteu a um teste antes da visita para se certificar de que não tem covid.

O encontro foi organizado para celebrar a assinatura do “novo Nafta” – acordo de livre-comércio que inclui o Canadá –, mas teve ares de campanha eleitoral. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, recusou o convite. Para o americano, foi uma chance de mostrar que não está isolado, após a chanceler alemã, Angela Merkel, e o premiê canadense, Justin Trudeau, terem recusado convites para um tête-à-tête com Trump. 

Nos 19 meses desde que assumiu, Obrador não havia feito nenhuma viagem internacional e escolheu visitar a Casa Branca justamente no meio da campanha eleitoral americana. Apesar de ainda contar com 60% de apoio, a popularidade do presidente mexicano vem caindo e a reunião com Trump foi criticada por passar uma imagem submissa do México diante dos Estados Unidos. / NYT e REUTERS

 

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