Registro de Crime Sexual do Estado de Nova York / AFP
Registro de Crime Sexual do Estado de Nova York / AFP

Trump endossa teoria da conspiração sobre morte de Epstein

Justiça americana investiga morte na prisão de bilionário acusado de tráfico sexual de menores como suicídio

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2019 | 19h24

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, compartilhou neste domingo, 11, em sua conta no Twitter uma teoria conspiratória sobre a morte do bilionário Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de menores de idade, que foi encontrado morto em sua cela no sábado.

O presidente divulgou um vídeo publicado pelo ator Terrence Williams dizendo que Epstein tinha informações sobre Bill Clinton e sugerindo que isto teria relação com a sua morte. Tanto Clinton, como Trump, nos anos 90, frequentaram eventos sociais ao lado do empresário. 

A atitude de Trump foi criticada por pré-candidatos democratas à presidência em 2020, entre eles o texano Beto O’Rourke e o senador Cory Booker. “O que Trump faz é perigoso. Não apenas dá vida a teorias da conspiração, mas também cria sentimentos negativos contra certas pessoas”, disse Booker.

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, William Barr, anunciou a abertura de duas investigações, uma do FBI e outra conduzida pelo Departamento de Justiça, sobre a morte do milionário, figura do jet set até ser preso em Nova York no começo de julho, acusado de múltiplas agressões sexuais, supostamente contra mulheres menores de idade.

Funcionários de prisões citados pelo New York Times reconheceram que não foram respeitados os procedimentos de acompanhamento: não foram realizadas rondas programadas para acontecerem a cada 30 minutos, e ele estava sozinho na cela, embora a regra é de que sempre sejam dois detentos.

Sem esperar os resultados das investigações anunciadas, muitos preferem acreditar no assassinato do milionário - que costumava convidar pessoas poderosas para suas festas privadas, entre elas Trump, Clinton e o príncipe Andrew, filho da rainha da Inglaterra -, uma vez que, durante o seu processo judicial, algumas delas poderiam se tornar alvo da Justiça ou de embaraços.

Para instigar teorias da conspiração, que sempre ganham força nas redes sociais, muitos destacaram as quase 2 mil páginas de documentos judiciais publicadas na sexta-feira detalhando as acusações contra Epstein feitas por uma mulher chamada Virginia Giuffre em uma ação civil. Ela cita políticos com os quais Epstein a teria obrigado a ter relações sexuais. Todos negaram.

Outro questionamento diz respeito ao fato de que a prisão federal em que Epstein estava detido, o Centro Correcional Metropolitano de Manhattan, ter fama de ser uma das mais seguras do país. Em suas instalações, ficou preso até julho o narcotraficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, que protagonizou duas fugas espetaculares no México.

Vigilância relaxada

Mesmo sem se renderem a teorias da conspiração, muitos se perguntam por que Epstein não se beneficiou de uma vigilância antissuicida mais rígida após uma suposta tentativa de suicídio em 23 de julho.

"Os pedófilos acusados de crimes federais apresentam alto risco de suicídio e requerem atenção especial", indicou no Twitter o ex-subsecretário de Justiça Rod Rosenstein.

Especialistas no sistema de justiça argumentaram que o suicídio é um problema crescente, porém mal documentado, nas prisões americanas. Em 2014, data das cifras mais recentes, segundo a "The Atlantic", 249 pessoas se suicidaram em prisões federais e estaduais.

Em meio a este turbilhão de informações, indignação e teorias da conspiração, supostas vítimas lamentaram que isto lhes impeça de obter justiça e expor seus possíveis cúmplices, sem excluir novas acusações. / AFP e EFE

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