Evan Vucci / AP
Evan Vucci / AP

Trump enfrentará seu maior teste em eleições legislativas

Presidente americano pode perder maioria na Câmara dos Deputados, mas tem uma posição mais confortável no Senado

Beatriz Bulla, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2018 | 06h00

WASHINGTON - Nesta terça-feira, os americanos votarão nas eleições de meio de mandato, definindo a renovação da Câmara, de um terço do Senado e de 36 dos 50 governadores. Para além de uma disputa interna, a votação é considerada um referendo de aprovação – ou reprovação – do governo de Donald Trump. Na reta final, o presidente intensificou sua participação na campanha do partido para conter uma onda democrata

Hoje, as duas Casas são comandadas pelos republicanos, mas o partido corre o risco de perder a maioria na Câmara dos Deputados – no Senado, a situação é mais confortável. “As eleições presidenciais costumam ser um olhar para o futuro, enquanto as de meio de mandato são um referendo do passado”, afirma Gary Nordlinger, da Escola de Gestão Política da George Washington University. O fator Trump é levado em conta por seis em cada dez americanos, segundo pesquisa do Pew Research. Segundo o instituto, 37% dos eleitores dizem que a eleição será um voto contra Trump, enquanto 23% consideram votar em favor do presidente.

Trump tem trabalhado como cabo eleitoral em uma agenda marcada por viagens para defender até críticos dentro do partido, como Ted Cruz, do Texas. Os americanos renovarão todos os deputados – que têm mandato de dois anos nos EUA – e 35 dos 100 senadores. 

Trump admitiu a possibilidade de perder a maioria na Câmara dos Deputados na sexta-feira. “Pode acontecer, pode acontecer. Nós estamos indo muito bem no Senado, mas pode acontecer”, disse Trump, em campanha na Virgínia Ocidental. Os democratas precisam conquistar 23 cadeiras a mais do que os republicanos para conseguir a maioria da Câmara. 

À CNN, a deputada democrata Nancy Pelosi se disse confiante no último fim de semana antes da disputa. “Até outro dia, eu diria que ‘se as eleições fossem hoje, nós poderíamos ganhar’. Agora, o que estou dizendo é ‘nós vamos ganhar’”. 

Manter a maioria no Senado dá segurança ao mandato de Trump, já que um eventual pedido de impeachment precisaria da aprovação dos senadores, após análise na Câmara. No entanto, perder a maior parte da Câmara para a oposição não é boa notícia, já que os democratas passarão a assumir as comissões na Casa e comandariam investigações contra o republicano – que está na mira da Justiça em razão de um possível conluio com os russos para interferir na campanha eleitoral de 2016.

Obstáculos

Mais do que convencer os eleitores a votar em seu partido, Trump trabalha para engajar os republicanos a votar – já que o voto nos EUA não é obrigatório. Dois acontecimentos recentes jogaram pressão em cima do presidente americano.

Primeiro, o ataque a uma sinagoga em Pittsburgh, na Pensilvânia. Por fim, o envio de pacotes com explosivos a alvos ligados aos democratas. Ambos fizeram Trump responder a acusações de que seu discurso de ódio leva a ações de uma sociedade polarizada. Para Nordlinger, isso não deve impulsionar a oposição. “Os democratas que se importam com isso já votariam de todo o jeito”, afirma.

Outros acontecimentos, no entanto, deram força ao republicano, como o avanço da caravana de cerca de 7 mil imigrantes da América Central em direção aos Estados Unidos. Trump endureceu o discurso, usando sua conta no Twitter, contra a imigração ilegal – sua principal plataforma de campanha desde que se lançou à presidência. 

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