EFE/JIM LO SCALZO
EFE/JIM LO SCALZO

Trump esbarra em falta de votos contra Obamacare

Pesquisa indica que republicanos podem pagar custo político se votarem por reforma no sistema de saúde

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 21h49

Sem apoio suficiente na própria base parlamentar, os republicanos foram obrigados a adiar a votação do projeto de rejeição do Obamacare prevista para esta quinta-feira, em uma clara demonstração das dificuldades para entregar uma das principais promessas do presidente Donald Trump e de seu partido.

Segundo levantamento do jornal New York Times, 33 republicanos estavam determinados a votar contra a medida, enquanto outros 13 se declaravam indecisos. Com isso, a proposta tinha apoio seguro de apenas 191 integrantes da bancada. Para ser aprovada, ela precisa do “sim” de pelo menos 216 deputados.

Nenhum desses votos virá de parlamentares democratas. Líderes republicanos passaram o dia em negociações a portas fechadas, na tentativa de encontrar uma proposta que possa ser votada nesta sexta-feira. Muitos deputados pediram mais tempo. 

Trump entrou no corpo a corpo e recebeu na Casa Branca os 30 integrantes do Freedom Caucus, a ala mais conservadora da bancada republicana, que defende a redução de benefícios previstos no projeto. O grupo propôs acabar com algumas das coberturas médicas essenciais previstas no Obacamare, entre as quais maternidade, doenças mentais e compra de remédios. 

Apesar de as propostas terem sido aceitas, o Freedom Caucus continuou a se opor ao projeto e demandou outras mudanças que reduzam o custo de seguro-saúde, o que exigiria corte ainda maior dos benefícios. Mas os líderes correm o risco de perder os votos dos moderados se cederem aos conservadores. 

Enquanto o porta-voz de Trump, Sean Spicer, dizia na Casa Branca que haveria apoio suficiente para aprovação da medida na noite desta quinta-feira, o comando do partido no Congresso via a erosão de sua base de votos. O descompasso entre o Executivo e o Legislativo também ficou evidente em declarações públicas de Trump. Mesmo depois de a votação ter sido adiada, o presidente afirmou que ela ocorreria nesta quinta-feira.

Pesquisa da Universidade Quinnipiac indicou que republicanos poderão pagar um elevado custo político se votarem a favor da proposta. Entre simpatizantes da legenda, 46% disseram que estarão menos inclinados a votar em um parlamentar que apoie o projeto, enquanto 29% declararam que isso não influenciaria sua posição. Apenas 19% afirmaram que o voto a favor reforçaria sua preferência pelo parlamentar. No próximo ano, todos os deputados terão de concorrer à reeleição.

Na população em geral, 56% rejeitam a mudança proposta pelos republicanos, que tem apoio de só 17% dos entrevistados – 26% se declararam indecisos. Na opinião de 61%, um número menor de pessoas terá seguro-saúde sob o projeto republicano do que sob o Obamacare. 

 

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