Bloomberg photo by Yuri Gripas
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Trump estuda cassar acesso à informação de ex-diretores da CIA e FBI

Porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, afirmou que ex-funcionários 'politizaram' seus cargos ao acusar Trump de ter um relacionamento inadequado com o governo russo, e 'monetizaram seu acesso a informação'

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2018 | 16h53

O presidente Donald Trump estuda revogar as credenciais de acesso a documentos confidenciais de ex-funcionários ligados à segurança nacional dos Estados Unidos. Os alvos são o ex-diretor da CIA John Brennan, o ex-diretor do FBI James Comey, o ex-diretor da CIA Michael Hayden, a ex-conselheira de segurança nacional Susan Rice, o ex-diretor de inteligência nacional James Clapper, e o ex-vice-diretor do FBI, Andrew McCabe.

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Todos os ex-funcionários ameaçados criticaram recentemente a retórica de Trump em relação à Rússia e seu encontro com Vladimir Putin. Para os críticos, a ameaça de Trump seria uma retaliação política. Nos EUA, ex-diretores de agentes de inteligência costumam manter sua autorização de acesso a documentos sigilosos por até dez anos depois de deixarem o cargo, em parte para compartilhar ideias com os novos diretores.

Na segunda-feira, 23, a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que Trump acredita que os ex-funcionários “politizaram” seus cargos ao acusar Trump de ter um relacionamento inadequado com o governo russo. Também afirmou que em alguns casos eles “monetizaram seu acesso à informação”.

Sanders disse que Trump acredita que os ex-funcionários “politizaram” seus cargos ao acusar Trump de ter um relacionamento inadequado com o governo russo, e disse que em alguns casos eles “monetizaram seu acesso a informação”, sem esclarecer o que ela queria dizer. “O fato de pessoas com estas credenciais de acessos estarem fazendo acusações infundadas fornece legitimidade inadequada a acusações com zero evidência”, disse Sanders. Ela também disse que Trump estava de olho nas credenciais do ex-diretor da NSA Michael Hayden, da ex-conselheira de segurança nacional Susan Rice e do ex-vice-diretor do FBI Andrew McCabe.

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Após a cúpula da semana passada com Putin, Trump foi amplamente criticado por democratas e republicanos por parecer muito receptivo com o líder russo e por não enfrentá-lo de forma mais agressiva. Brennan foi um dos mais críticos, e disse que Trump “cometeu traição” ao se encontrar Putin. Brennan agora atua como analista sênior de segurança e inteligência nacional para as emissoras de TV americanas NBC News e MSNBC.

A decisão ocorreu logo depois que Trump se reuniu com o senador republicano Rand Paul. Antes um dos principais críticos republicanos de Trump, Rand Paul foi um ferrenho defensor da visita de Trump a Putin. “As autoridades públicas não devem usar suas credenciais de segurança para alavancar as taxas de palestras ou as taxas de participação na TV”, escreveu Rand Paul em sua conta no Twitter.

Um membro da liderança republicana no Senado expressou ceticismo sobre a decisão da Casa Branca. “Eu não sei se eles estão abusando de sua credencial de segurança”, disse o líder da maioria no Senado John Cornyn. “Essa é uma alegação muito séria. Eu quero ver quais são as acusações”. Pelo menos dois dos funcionários citados por Sarah Sanders, Comey e McCabe, atualmente não têm autorizações. A liberação dos dois foi desativada quando eles deixaram o FBI.

Clapper, um oficial de carreira da Inteligência americana, ex-diretor de Inteligência Nacional no governo Obama, descreveu a medida da Casa Branca como “sem precedentes”. Ele afirmou que não há motivos para descartar sua autorização, e que as ações da Casa Branca foram dirigidas apenas a “pessoas que criticaram o presidente”. “Claro que Trump tem o direito de revogar nossas credenciais. É uma prerrogativa presidencial”, afirmou. / W.POST E NYT

 



. / WASHINGTON POST E AFP



 

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