Doug Mills/The New York Times
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Trump estuda declarar emergência nacional para tarifar o México

Segundo rascunho de declaração, medida é necessária em razão do fracasso do governo mexicano em reduzir a imigração para os EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2019 | 22h21

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, está planejando declarar emergência nacional para impor tarifas sobre os produtos mexicanos em razão do grande fluxo de imigrantes da América Central na fronteira entre México e EUA, revelou nesta quinta-feira um rascunho do texto da declaração obtida pelo jornal americano The Hill.

 Segundo o documento, a nova declaração de emergência, que dá ao presidente poderes para adotar ações sem a aprovação do Congresso, é necessária em razão do “fracasso do governo mexicano em reduzir a imigração de ilegais para os EUA por meio do México”. Em fevereiro, Trump declarou emergência nacional para enviar membros da Guarda Nacional para ajudar os agentes de fronteira no sul do país.

Funcionários da Casa Branca e do Departamento de Justiça apresentaram a ideia esta semana durante uma reunião a portas fechadas com senadores republicanos. No entanto, uma nova declaração de emergência nacional pode provocar uma rebelião de democratas e membros do próprio partido do presidente. Segundo muitos senadores e deputados, Trump está ultrapassando os limites de sua autoridade.

Na semana passada, o presidente americano ameaçou impor uma tarifa de 5% sobre os produtos mexicanos a partir de segunda-feira e disse que ela aumentaria 5% a cada mês, até chegar a 25% em outubro.

O rascunho da declaração, que mostra como a tarifa será imposta aos produtos mexicanos, menciona várias ocasiões em que o México “fracassou” em sua tentativa de controlar os imigrantes centro-americanos na fronteira.

Uma delegação mexicana, liderada pelo chanceler Marcelo Ebrard, está nos EUA desde o sábado tentando obter um acordo para impedir a imposição das tarifas na segunda-feira. Erbard negocia com o secretário de Estado, Mike Pompeo, e com o vice-presidente dos EUA, Mile Pence.

No entanto, no final da noite de ontem, funcionários da Casa Branca disseram que os EUA ainda estavam determinados a ir adiante com as tarifas. “Nossa posição não mudou e ainda estamos considerando as tarifas”, disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Os mercados mexicanos têm estado instáveis desde o anúncio de Trump, já que a economia do México é profundamente dependente das exportações para os EUA. O impacto das tarifas, no entanto, será sentido também entre os americanos. Na quarta-feira, o senador republicano Ted Cruz disse que seu Estado, o Texas, perderia “milhares de empregos” com as tarifas.

Reeleição.

O plano de Trump de impor tarifas a produtos mexicanos a partir de segunda-feira – caso EUA e México não cheguem a um acordo para conter o fluxo de imigrantes – pode prejudicar consumidores e até mesmo suas chances de ser reeleito. Os americanos pagarão mais por automóveis, televisores, calças jeans, vegetais frescos e outros produtos.

Para a economia dos Estados, o impacto depende do quão dependentes suas indústrias são dos fornecedores mexicanos. E essa imposição de tarifas progressivas pode ser prejudicial a empresas e consumidores americanos, mesmo que eles estejam longe da fronteira. Atualmente, o Estado de Michigan é o mais dependente de importações do México, principalmente de componentes e produtos manufaturados para sua indústria automobilística.

No ano passado, Michigan importou US$ 56 bilhões de produtos mexicanos, atrás apenas do Estado do Texas, que compra comida e produtos manufaturados do México e gastou US$ 107 bilhões em 2018.

Além de prejudicar indústrias e consumidores americanos, a medida de Trump também pode afetar seus planos de se reeleger em 2020, pois Michigan é considerado um Estado decisivo nas eleições. 

Na votação de 2016, o então candidato republicano venceu a eleição em Michigan com 47,50% dos votos – uma margem de 0,23% sobre sua rival, a candidata democrata Hillary Clinton. A vitória com a margem de votos mais estreita na história de eleições presidenciais de Michigan. / NYT, AP e REUTERS

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