Pablo Martinez Monsivais / AP
Pablo Martinez Monsivais / AP

Trump exige que deputados republicanos solucionem crise da separação de famílias imigrantes

Legisladores afirmam que, após reunião no Capitólio, presidente americano demonstrou apoio aos projetos de lei que os líderes da Câmara e do Senado esperam votar nesta semana

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2018 | 07h54

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, determinou na terça-feira, 19, aos legisladores do seu Partido Republicano que encontrem uma solução para a crise envolvendo a separação de famílias de imigrantes na fronteira com o México.

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Horas após ter defendido a legalidade de sua política de “tolerância zero”, o magnata conversou com um grupo de deputados republicanos no Capitólio. Depois do encontro, que durou cerca de 45 minutos, os republicanos revelaram que o presidente apoia os projetos de lei que os líderes da Câmara e do Senado esperam votar nesta semana.

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O deputado republicano Mario Díaz Balart declarou que a prioridade é acabar com a separação dos pais de seus filhos após as detenções de imigrantes ilegais na fronteira. Trump "não só apoia o texto acertado como também o defende", destacou Diaz Balart.

Os projetos incluem ainda iniciativas como o muro na fronteira com o México, a proteção dos chamados "dreamers" (imigrantes que entraram no país ainda crianças) e modificações nos programas de imigração, como o fim da loteria de vistos.

O porta-voz da Casa Branca Raj Shah confirmou que Trump "apoiou os projetos das duas Câmaras" durante a reunião, acrescentando que os textos "resolvem a crise na fronteira e a questão da separação das famílias". "Estou 100% com vocês", disse o presidente aos legisladores republicanos, segundo o porta-voz.

Na saída da reunião, os legisladores democratas atacaram Trump por sua política de separar as famílias de imigrantes, em um protesto realizado nos corredores do Capitólio. "Presidente, por acaso o senhor não tem filhos?", questionou Juan Vargas, membro da Câmara dos Deputados. "Gostaria de ser separado de seus filhos?", insistiu.

Trump se limitou a virar e a sorrir para as câmeras localizadas atrás de meia dúzia de deputados democratas que exibiam fotos de menores chorando e cartazes com a frase: "Famílias devem permanecer unidas".

A política de "tolerância zero", com ações de detenção sistemática de imigrantes ilegais na fronteira com o México e o consequente processo penal contra os maiores, já levou à separação de 2.342 menores de seus pais entre os dias 5 de maio e 9 de junho.

Essas crianças - com idades entre 1 e 18 anos - ficam retidas em centros de acolhida, onde dormem em colchões sobre concreto em unidades rodeadas de cercas metálicas que dão, ao conjunto, a impressão de uma enorme jaula.

Mais cedo na terça-feira, Trump insistiu na defesa de seu rigor com os imigrantes ilegais. "Se não temos fronteiras, não temos país", escreveu ele em sua conta no Twitter. "Devemos sempre deter as pessoas que entram ilegalmente no nosso país."

Trump ainda disse: “Não quero crianças sendo retiradas de seus pais. Mas quando tentamos processar os pais por virem para cá ilegalmente, algo deve ser feito. É preciso separar as crianças", afirmou ele, horas depois, em um discurso para pequenos empresários.

Apoiando-se em pesquisas que mostram um apoio majoritário à medida de “tolerância zero” entre os eleitores republicanos, Trump decidiu jogar a responsabilidade para os legisladores, principalmente os democratas, exigindo que "mudem essas leis ridículas e obsoletas".

Neste contexto, o presidente republicano insiste que a culpa recai principalmente sobre a oposição. "Os democratas são o problema. Eles não se importam com a criminalidade e querem que os imigrantes ilegais, por mais perigosos que sejam, infestem o nosso país, como o MS-13", escreveu ele em sua conta no Twitter, referindo-se a uma gangue de origem americano-salvadorenha.

Política

Desde o anúncio da política de "tolerância zero" no início de maio, 2.342 crianças e jovens imigrantes foram separados de suas famílias (de 5 de maio a 9 de junho), segundo dados oficiais.

A situação é resultado direto da decisão da Casa Branca de processar 100% das pessoas que cruzam suas fronteiras com o México sem documentos, estejam elas acompanhadas ou não de crianças.

Até agora, ainda que a lei fosse a mesma, as autoridades muitas vezes optavam por não deter as famílias para evitar essa situação, uma vez que as crianças não podem ser encarceradas e, portanto, devem ser realocadas.

Para a ONG Anistia Internacional, esta nova política é "digna de tortura", "inadmissível" para a ONU, e também denunciada por líderes religiosos americanos influentes entre o eleitorado republicano.

Trump também tem usado a crise migratória na Europa para convencer os americanos dos benefícios de sua firmeza. "É ainda pior em outros países", disse ele na terça-feira. A Europa e os EUA não têm o mesmo "modelo de civilização", reagiu o porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, denunciando as imagens "chocantes" de crianças separadas. / AFP

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