Odd ANDERSEN and Jim WATSON / AFP
Odd ANDERSEN and Jim WATSON / AFP

Trump fala com Putin sobre pacto nuclear com China

Os dois presidentes conversaram por mais de uma hora pelo telefone; tratado entre americanos e russos que limita armas expira em 2021

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 21h41

WASHINGTON - A dois anos de expirar o único acordo de controle de armas entre EUA e Rússia, o New START, o presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 3, ter discutido com o líder russo, Vladimir Putin, a possibilidade de um novo pacto limitante que dessa vez inclua a China. O acordo, segundo ele, seria um grande avanço entre as três potências atômicas globais. 

Falando a repórteres na Casa Branca, Trump afirmou que, na conversa por telefone com Putin que durou mais de uma hora, também foram discutidos os esforços para persuadir a Coreia do Norte a desistir de ter armas nucleares. 

O New START, único pacto de controle de armas entre Rússia e EUA que limita o uso de armas nucleares estratégicas, expira em fevereiro de 2021, com a possibilidade de ser prorrogado por cinco anos se ambos os lados concordarem. Os defensores e ativistas do controle de armas afirmam que sem ele será mais difícil avaliar as intenções entre as potências. 

O presidente americano alegou alto custo de manutenção do arsenal nuclear como o motivo pelo qual ele quer limitar quantas armas podem ser utilizadas. “Nós estamos falando de um acordo nuclear em que possamos fazer menos, e eles (russos e chineses) fazerem menos, e talvez possamos nos livrar de uma tremenda parte desse poder de fogo que temos agora”, disse o presidente, que conversou informalmente com Putin pela última vez durante um jantar de líderes mundiais em Buenos Aires, em dezembro. 

Trump disse que durante as negociações comerciais com a China, o país pareceu fortemente inclinado a se juntar aos EUA e à Rússia em um pacto limitador de armas. 

“Acho que nós provavelmente vamos começar algo muito em breve com a Rússia e podemos dar o pontapé inicial. Acho que a China então será incluída ao longo do caminho. Nós estaremos falando sobre não proliferação, estaremos falando sobre um acordo nuclear de algum tipo, e acho que vai ser um (pacto) bem amplo”, disse. 

O New START exigia que os EUA e a Rússia cortassem suas ogivas nucleares estratégicas para não mais do que 1.550, o menor nível em décadas, além de limitar seus sistemas de lançamento – mísseis terrestres e mísseis instalados em submarinos com capacidade nuclear. Ele também inclui medidas de transparência extensivas, entre elas, a que exige que cada lado permita que o outro realize dez inspeções de bases nucleares estratégicas a cada ano. 

Um acordo de controle de armas que inclua a China seria, na avaliação do especialista em segurança nuclear do James Martin Centro de Estudos de Não Proliferação (Califórnia) Miles Pomper, uma boa ideia e algo que a Rússia também vem buscando. Mas os chineses têm sido resistentes a até mesmo manter discussões estratégicas mais sérias sobre o tema até que EUA e Rússia façam profundos cortes em seus arsenais, explicou Pomper. “As chances de Pequim se engajar em negociações sérias nesse momento parecem pequenas. E mesmo que concorde, as conversações levariam anos”, afirmou, em entrevista ao Estado

Risco 

Na opinião do especialista americano, o governo Trump precisa decidir se vai concordar em estender o Start, algo que concordam Rússia e muitos militares e diplomatas americanos. 

“O sério risco aqui é, ao tentar um tratado tão ambicioso e não buscar uma prorrogação, o governo Trump pode acabar sem um novo pacto trilateral e sem um novo acordo START e, assim, comprometer ainda mais a estabilidade estratégica. Qualquer novo tratado EUA-China-Rússia deve ser buscado em conjunto com uma extensão (do Start)”, disse.

Tratado de mísseis

Em janeiro, Trump retirou os EUA do Tratado de Proibição de Mísseis Intermediários (INF, na sigla em inglês), assinado com a então União Soviética em 1987 e um pilar na prevenção de uma guerra nuclear na Europa. Moscou suspendeu sua adesão ao pacto oficialmente em março. / REUTERS COLABOROU RENATA TRANCHES

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