AP Photo/Ahn Young-joon
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Trump repete ameaça à Coreia do Norte e promete ser ainda mais ‘duro’

Presidente diz que ‘ocorrerão coisas’ que Pyongyang ‘nunca pensou ser possível’ se atacar os EUA ou aliados; ele também sugere que poderá recuar em sua planejada guerra comercial com a China se Pequim fizer mais para resolver crise

O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2017 | 16h26
Atualizado 10 Agosto 2017 | 20h01

BEDMINSTER, EUA - O presidente americano, Donald Trump, elevou nesta quinta-feira sua retórica sobre o programa nuclear da Coreia do Norte e disse que o país deveria estar “muito nervoso”, pois “ocorrerão coisas que ele nunca pensou ser possível”, caso ataque os Estados Unidos ou seus aliados. 

Trump disse a repórteres que sua advertência de terça-feira sobre “fogo e fúria” talvez não tenha sido “dura o suficiente”, mas, apesar de ter ampliado sua arriscada política com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, o presidente americano garantiu às pessoas de todo o mundo que a situação está sob controle.

 

Trump não disse se está considerando um ataque preventivo contra a Coreia do Norte, alegando que não podia falar sobre potenciais opções militares. Mas ele garantiu que está aberto a uma negociação com Pyongyang, apesar de lembrar que as conversações dos últimos anos não conseguiram deter o programa nuclear norte-coreano. “Alguém tem de fazer alguma coisa”, afirmou. “É melhor a Coreia do Norte não fazer mais ameaças aos EUA.”

Horas depois, Coreia do Norte afirmou que os EUA “sofrerão uma derrota vergonhosa e uma condenação final”, caso “persistam em suas aventuras militares, sanções e pressões extremas”. Segundo comunicado divulgado pela agência KCNA, os militares prometem “destruir sem perdão os provocadores que estão fazendo tentativas desesperadas de sufocar a Coreia do Norte”.

Com o vice-presidente Mike Pence ao seu lado, Trump disse que tem o “apoio de 100%” das Forças Armadas dos EUA e de outros líderes mundiais.

Ele também afirmou que a China, o maior parceiro comercial da Coreia do Norte, além de aliada, precisa fazer mais para pressionar Pyongyang – e previu que ela o fará. Ele sugeriu que poderá fazer uma barganha com a China e recuar em sua planejada guerra comercial com o país se Pequim fizer mais para resolver o impasse com a Coreia do Norte. 

“Acredito que a China pode fazer muito mais”, disse. “E acho que a China o fará. Nós temos um comércio com a China. Nós perdemos bilhões de dólares ao ano no comércio com a China. Eles sabem como me sinto. Isso não vai continuar assim. Mas, se a China nos ajudar, acho que haverá uma mudança com relação ao comércio, muitas coisas diferentes.”

Trump agradeceu a colaboração da Rússia e da China, que no sábado aprovaram novas sanções adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra Pyongyang por seu programa de mísseis e nuclear.

O presidente fez as novas ameaças enquanto seu governo se esforça para criar uma frente unificada em meio a um debate interno sobre uma estratégia para confrontar a Coreia do Norte. As declarações foram feitas no clube de golfe do magnata em Bedminster, em New Jersey, para onde Pence viajou para almoçar com Trump e participar da entrevista coletiva sobre segurança com o chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, e o conselheiro de Segurança Nacional, Herbert R. McMaster.

Após Trump advertir a Coreia do Norte de que poderia enfrentar “fogo e fúria”, funcionários de alto escalão do governo tentaram acalmar os líderes mundiais, assim como os americanos. O regime de Pyongyang zombou das ameaças de Trump e confirmou ontem que planeja disparar quatro mísseis contra a ilha americana de Guam, no Pacífico, alegando que apenas a força faz sentido para o presidente Trump, alguém que “perdeu a cabeça”.

Ainda nesta quinta-feira, o Japão afirmou que “jamais poderá tolerar as provocações” de Pyongyang. O ministro de Defesa japonês, Itsunori Onodera, disse que o país pode interceptar um míssil norte-coreano disparado em direção a Guam. / W.POST, NYT, REUTERS e AP

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