Sarah Silbiger/The New York Times
Sarah Silbiger/The New York Times

Trump ignora afirmação da CIA de que príncipe saudita ordenou morte de jornalista e o defende 

Ao falar sobre culpados, presidente americano diz que 'mundo é um lugar cruel'; segundo jornal turco, agência de inteligência americana tem gravações com ordens do príncipe para 'silenciar' Khashoggi

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2018 | 16h56

MAR-A-LAGO, EUA - O presidente dos EUA, Donald Trump, contradisse a conclusão da CIA (agência de inteligência americana) de que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman ordenou o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, afirmando que,  na verdade, esse foi só um "sentimento" da agência, que segundo ele não chegou a "uma conclusão" definitiva sobre o envolvimento do príncipe. 

Trump, em declarações a repórteres em seu resort de Mar-a-Lago, na Flórida, defendeu seu contínuo apoio a Salman diante da afirmação da CIA de que o príncipe ordenou a morte do jornalista saudita, um colaborador do Washington Post. 

"Ele nega isso veementemente", disse Trump, acrescentando que em sua própria opinião, ele "talvez tenha culpa, talvez não". "Odeio o crime, odeio o acobertamento. Vou te dizer: o príncipe herdeiro odeia isso mais do que eu", disse Trump. 

Questionado sobre quem, na sua opinião, deveria ser responsabilizado pela morte de Khashoggi, que foi morto no consulado saudita em Istambul, Trump não quis falar em culpados. 

"Talvez o mundo deveria ser responsabilizado porque o mundo é um lugar muito, muito cruel", disse o presidente. 

O presidente americano também sugeriu que todos os aliados dos EUA são culpados pelo mesmo comportamento (americano), declarando que se todos tivessem seguido as críticas contra a Arábia Saudita nos últimos dias "não teríamos ninguém como aliado". 

Gravações

Depois de oferecer várias explicações contraditórias, na semana passada Riad disse que Khashoggi foi morto e seu corpo foi esquartejado quando negociações para persuadi-lo a voltar à Arábia Saudita fracassaram.

Um jornal da Turquia disse nesta quinta-feira, 22, que a diretora da CIA, Gina Haspel, sinalizou no mês passado a autoridades turcas que a agência tem uma gravação de um telefonema no qual o príncipe herdeiro deu instruções para “silenciar” o jornalista.

Indagada sobre a reportagem, uma autoridade turca disse à agência Reuters que não tem informações sobre tal gravação. Riad disse que o príncipe herdeiro não teve conhecimento prévio do assassinato de Khashoggi seis semanas atrás.

“Há rumores sobre uma outra gravação”, escreveu Abdulkadir Selvi, jornalista do diário Hurriyet, em uma coluna, dizendo que a suposta ligação foi entre o príncipe e seu irmão, o embaixador saudita em Washington.

“Está sendo dito que a chefe da CIA, Gina Haspel, indicou durante sua visita à Turquia”, escreveu, acrescentando que os dois conversaram sobre Khashoggi, um crítico do governante saudita.

“Está sendo dito que o príncipe herdeiro deu ordens para ‘silenciar Jamal Khashoggi o mais cedo possível’” em um telefonema que foi monitorado pela CIA, disse ele.

Khashoggi foi assassinado no consulado saudita em Istambul em 2 de outubro durante uma operação que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse ter sido ordenada pelo nível mais alto da liderança saudita. / W. POST e REUTERS 

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