U.S. Customs and Border Protection/AP
U.S. Customs and Border Protection/AP

Trump impõe tarifas às importações do México para conter onda migratória

Presidente americano exige que governo mexicano contenha onda de imigrantes ilegais na fronteira

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 21h24

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou  nesta quinta-feira, 30, a adoção de tarifas progressivas contra o México, a partir do dia 10, até que o país vizinho detenha o fluxo de imigrantes ilegais que entram nos Estados Unidos pela fronteira sul. 

“A partir do dia 10 de junho, os EUA estão prontos para impor uma tarifa de 5% sobre todos os bens que entram em nosso país a partir do México”, escreveu Trump no Twitter. “Até o momento em que eles interrompam a entrada de imigrantes ilegais nos EUA.”

De acordo com o presidente americano, as tarifas seriam progressivas e aumentariam para 10%, no dia 1.º de julho, para 15%, no dia 1.º de agosto, para 20%, no dia 1.º de setembro, e para 25%, no dia 1.º de outubro. “O México pode muito bem dar conta desses imigrantes, inclusive mandá-los de volta a seus países de origem”, escreveu Trump. 

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, enviou uma carta a Trump na qual assegura que não quer uma “confrontação” e o convida a conversar para resolver a questão da imigração. 

Na carta, divulgada pelo Twitter nesta quinta-feira à noite, López Obrador anuncia que hoje uma delegação, liderada pelo chanceler Marcelo Ebrard, viajará para os EUA para dialogar “sobre um acordo em benefício das duas nações”. Na carta de duas páginas, que ele assina como “seu amigo”, o presidente mexicano não menciona a imposição de tarifas.

“Não creio na Lei de Talião, no ‘dente por dente nem no ‘olho por olho’ (...) Creio que dois homens de Estado, ainda mais de nações estão obrigados a buscar soluções pacíficas às controvérsias”, acrescentou López Obrador.

Segundo o jornal Washington Post, o presidente pretende anunciar oficialmente as tarifas para o México hoje. No entanto, alguns assessores ainda tentam convencê-lo a mudar de ideia, argumentando que a medida significaria novas turbulências nos mercados financeiros e poderia prejudicar a tramitação do novo acordo comercial regional, firmado com México e Canadá.

O México tem os EUA como seu principal parceiro comercial, ao qual destina mais de 80% de suas exportações. Os dois países compartilham 3.200 km de uma fronteira pela qual passam numerosos imigrantes ilegais, armas e drogas.

Desde outubro, o México foi tomado por ondas de emigrantes, a maioria centro-americanos, que tentam chegar aos Estados Unidos fugindo da violência em seus países.

Para justificar a medida, o presidente disse nesta quinta-feira que agentes da Patrulha de Fronteira prenderam o maior grupo de migrantes ilegais. “Ontem (quarta-feira), agentes apreenderam o maior grupo de estrangeiros ilegais já detido: 1.036 pessoas que cruzaram a fronteira ilegalmente em El Paso por volta das 4 horas”, anunciou Trump, também pelo Twitter. 

O maior risco político que corre o governo americano é perder a cooperação do México no combate ao narcotráfico. Na parte econômica, muitos produtos importados pelos Estados Unidos do México são feitos por empresas americanas, o que torna a medida prejudicial também para os americanos. / W.POST, AFP, EFE e REUTERS 

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