Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Trump instala simulador de golfe de US$ 50 mil na Casa Branca, diz jornal

O sistema virtual é uma versão atualizada do aparelho comprado por Barack Obama na administração anterior; presidente republicano gasta cerca de 60% do seu tempo no que considera ser ‘tempo executivo’, sem encontros oficiais

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 13h19

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, instalou na Casa Branca um jogo de simulação de golfe do tamanho de uma sala, permitindo que ele jogue partidas ao arremessar uma bola real em um grande monitor, explicaram duas pessoas sobre o jogo.

O simulador custa em torno de US$ 50 mil e foi colocado durante as últimas semanas em um dos quartos pessoais dele, contou um funcionário da Casa Branca que preferiu falar sob condição de anonimato. Ele acrescenta ainda que o presidente pagou do próprio bolso o novo sistema e a instalação.

O jogo substituiu um antigo e menos sofisticado simulador instalado sob a administração do presidente Barack Obama, disseram as fontes.

‘Tempo executivo’

O presidente montou os seus horários de agenda com blocos de “tempo executivo”, períodos não estruturados do dia sem encontros oficiais. Ele frequentemente gasta esse tempo assistindo televisão, tuitando, fazendo encontros e telefonemas sem aviso.

Segundo o portal Axios, que examinou três meses de agenda do republicano, o tempo executivo responde por 60% das suas horas em escritório. O Axios afirmou que Trump geralmente não sai da residência a caminho do Escritório Oval antes das 11 horas da manhã.

Trump respondeu que usa o seu tempo produtivamente. “Quando o termo tempo executivo é usado, geralmente estou trabalhando, e não relaxando”, tuitou pouco depois de publicada a reportagem do Axios.

O funcionário Casa Branca afirmou que o presidente não usa o seu simulador de golfe durante o tempo executivo - ou desde que foi instalado.

Trump jogou golfe (o tradicional, ao ar livre) cerca de 140 vezes como presidente, muito em seus próprios clubes de golfe, segundo análise do jornal The Washington Post. Não há uma exata contagem porque ele usualmente não reconhece em agenda que jogou.

Mas, no inverno americano, enquanto a exigência de Trump por um muro na fronteira com o México desencadeava um mês de paralisação do governo, o presidente ficou longe do esporte por cerca de 70 dias, o maior período desde que chegou ao cargo.

Mudanças

A Casa Branca tem um longo histórico de mudanças feitas para se adaptar aos hobbies presidenciais. Dwight D. Eisenhower adicionou um campo de golfe. Richard M. Nixon construiu uma pista de boliche. E Obama transformou a existente quadra de tênis em uma de basquete e adicionou o seu próprio simulador de golfe, considerado na quinta-feira 14 por um ex-funcionário do democrata “justamente insofisticado”, sem dar mais detalhes.

Como presidente, no entanto, Trump jogou mais golfe do que Obama, que fez 38 partidas ao ano ante 70 do sucessor. Essa contagem refere-se apenas o jogo ao ar livre, já que o Post não conseguiu obter as estatísticas das partidas virtuais do democrata.

Donald Trump é dono de 16 campos de golfe. Três deles (no Estado americano da Virginia e outro na Escócia) têm simuladores da companhia dinamarquesa TrackMan Golf, segundo o site TrackMan. Autoridades da empresa não responderam aos múltiplos pedidos de comentário perguntando se a empresa forneceu o novo sistema à Casa Branca.

O endereço online da TrackMan oferece uma nova descrição sobre como o sistema de Trump pode funcionar. O produto da companhia inclui um gramado falso, que serve como o buraco e corredor, e grandes telas flexíveis por onde o jogo virtual é transmitido.

O sistema oferece vantagens. Jogadores podem usar uma cópia digital da famosa pista escocesa de St. Andrews ou as fictícias feitas apenas para o jogo. Um deles oferece a chance de jogar nove buracos entre “templos, vulcões e esqueletos de dinossauros” em uma selva sul-americana.

Jogadores arremessam numa bola real na tela e então sensores calculam velocidade, giro e o percurso. A partir daí, o computador toma conta, transformando a jogada real em uma virtual e mostrando a bola voando pelas pistas (ou por esqueletos de dinossauros) até o buraco.

Quando a bola digital para de andar, o jogador reinicia o jogo com uma bola real e repete o movimento. “Sinta a sensação de jogar golfe em belas pistas durante o ano todo”, diz o site da TrackMan. O sistema também permite que os jogadores analisem os próprios arremessos e pratiquem sem acionar a partida virtual. Um pacote completo, incluindo gramado, monitores e sensores, começa por US$ 49.995.

Quanto tempo leva para jogar uma partida virtual de 18 buracos? Cerca de uma hora se você está jogando sozinho, segundo sites de negócios de golfe caseiros que alugam os sistemas da TrackMan. Mas o jogo pode durar mais: em um vídeo postado na TrackMan, um cliente diz que ele demora de 3 horas a 3 horas e meia se quiser jogar com amigos. / THE WASHINGTON POST

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