REUTERS/Octavio Jones (28/02/2011)
REUTERS/Octavio Jones (28/02/2011)

Trump devolve ao governo americano cartas de Kim Jong-Un que levou da Casa Branca

Administração Nacional de Arquivos e Registros recuperou cartas e outros itens da presidência de Trump em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2022 | 18h00

WASHINGTON - O ex-presidente americano Donald Trump recebeu cartas de Kim Jong-Un e de Barack Obama enquanto estava na Casa Branca e as levou a sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, de maneira indevida. De acordo com o The Washington Post, a Administração Nacional de Arquivos e Registros recuperou caixas de documentos e outros itens que estavam em posse de Trump e deveriam ter sido entregues à agência ao final da presidência.

Ao término de cada mandato, os presidentes dos EUA devem enviar todos os seus e-mails, cartas e outros documentos comerciais ao Arquivo Nacional para preservação - o que não seguido pelo bilionário republicano. 

A recuperação das caixas do resort de Trump na Flórida levanta novas preocupações sobre o cumprimento por ela da Lei de Registros Presidenciais, que exige a preservação de memorandos, cartas, notas, e-mails, faxes e outras comunicações escritas relacionadas aos deveres oficiais de um presidente.

Os conselheiros de Trump negam qualquer intenção nefasta e disseram que as caixas continham lembranças, presentes, cartas de líderes mundiais e outras correspondências. Os itens incluíam correspondência com o líder norte-coreano Kim Jong-un - que Trump descreveu como “cartas de amor”, em setembro de 2018 -, bem como uma carta deixada para seu sucessor pelo presidente Barack Obama, segundo duas pessoas familiarizadas com o conteúdo.

O Arquivo Nacional dos EUA têm lutado para lidar com o ex-presidente. Semana passada, o Arquivo Nacional revelou que Trump tinha o hábito de rasgar alguns de seus documentos de trabalho, o que é proibido. "Entre os documentos presidenciais recebidos pelos Arquivos Nacionais estavam documentos em papel que foram rasgados pelo ex-presidente Trump", disseram autoridades à France-Presse.

Trump frequentemente rasgou documentos oficiais, devolvendo centenas de páginas coladas - e algumas ainda em pedaços - e reteve outros. Alguns documentos danificados estavam entre os entregues ao comitê da Câmara que investiga o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA por uma multidão pró-Trump.

“A única maneira pela qual um presidente pode realmente ser responsabilizado a longo prazo é preservar um registro sobre quem disse o quê, quem fez o quê, quais políticas foram incentivadas ou adotadas, e isso é uma parte importante do escopo de longo prazo da prestação de contas - além de eleições e campanhas”, disse a historiadora presidencial Lindsay Chervinsky.

A recuperação de documentos na propriedade de Trump é apenas o exemplo mais recente do que os profissionais responsáveis pela preservação do acervo presidencial descrevem como dificuldades crônicas na preservação de registros na era Trump - o período mais desafiador desde que Richard Nixon tentou bloquear a divulgação de registros oficiais, incluindo as gravações da Casa Branca.

Todas as administrações recentes tiveram algumas violações da Lei de Registros Presidenciais, na maioria das vezes envolvendo o uso de contas não oficiais de e-mail e telefone. Documentos da Casa Branca de várias administrações também foram recuperados pelos Arquivos depois que presidentes deixaram o cargo.

Mas funcionários familiarizados com administrações recentes disseram que a era Trump se destaca na escala dos registros recuperados de Mar-a-Lago. Uma pessoa familiarizada com a transferência a caracterizou como “fora do comum".

Alguns ex-assessores de Trump dizem não acreditar que Trump estava agindo com intenção criminosa.

“Não acho que ele tenha feito isso com intenção maliciosa de evitar cumprir a Lei de Registros Presidenciais”, disse um ex-funcionário da Casa Branca de Trump. “Desde que ele está no mundo dos negócios, ele tem sido muito transacional e provavelmente foi sua prática de longa data [que o levou a fazer isso] e não acho que seus hábitos mudaram quando ele chegou à Casa Branca.”/ W. POST e AFP

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