EFE/EPA/ERIK S. LESSER
EFE/EPA/ERIK S. LESSER

Trump limita número de funcionários chineses em imprensa da China nos EUA

Empresas afetadas são agência Xinhua, a televisão CGTN, a China Radio International e o jornal China Daily

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 17h53

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, estabeleceu nesta segunda-feira, 2, um limite de funcionários de nacionalidade chinesa que quatro veículos de comunicação da China poderão ter no território americano, o que pode representar um novo aumento na tensão entre ambos os países.

As quatro empresas afetadas são a agência Xinhua, a televisão CGTN, a China Radio International e o jornal China Daily. A empresa que distribui o jornal, a Hai Tian Development USA, não sofrerá restrições porque não emprega nenhum cidadão chinês, segundo funcionários do Departamento de Estado americano.  

Ao todo, os quatro veículos de comunicação envolvidos empregam 160 chineses nos EUA, e agora terão de reduzir esse número para 100, de acordo com as fontes. Segundo autoridades americanas, cada empresa terá até o dia 13 de março para determinar quais jornalistas chineses ficarão e quais irão embora.

Em comunicado, o secretário de Estado, Mike Pompeo, explicou que a decisão de implementar um limite aos profissionais chineses nos Estados Unidos "não decorre do conteúdo produzido por essas entidades".

"O nosso objetivo é a reciprocidade. Como temos feito em outras áreas do relacionamento entre EUA e China, há muito tempo temos procurado estabelecer um campo de igualdade. Esperamos que essa ação leve Pequim a adotar uma abordagem mais justa e recíproca da imprensa dos EUA e de outros países na China", argumentou.

Embora Pompeo não tenha mencionado na declaração, essas novas restrições são uma resposta à decisão do governo chinês, em meados de fevereiro, de revogar as licenças de três jornalistas credenciados do jornal americano The Wall Street Journal para trabalhar no país asiático.

Na época, Pequim alegou que a expulsão era consequência da publicação, em 3 de fevereiro, de um artigo de opinião que foi considerado depreciativo, intitulado "China, o verdadeiro doente da Ásia", que questionava a resposta do governo chinês à epidemia de coronavírus. 

A expressão "doente da Ásia" foi utilizada de forma depreciativa no final do século XIX e no início do XX para se referir à China. A expulsão dos três jornalistas do WSJ veio depois que o departamento liderado por Pompeo anunciou restrições a cinco veículos de comunicação estatais chineses nos EUA, com o argumento de que eles fazem "propaganda" para o Partido Comunista da China.

Desde então, essas empresas estatais são consideradas por Washington como "missões estrangeiras" do governo chinês e têm de seguir as mesmas regras que embaixadas e consulados. / EFE 

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