REUTERS/Carlos Barria
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Trump mantém acordo nuclear com Irã, mas sugere que pode adotar novas sanções

Governo americano afirmou que Teerã ‘cumpre as condições’ do pacto, que entrou em vigor em janeiro de 2016, e prometeu uma aplicação mais estrita do tratado

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 08h08

WASHINGTON - Em linha com seu antecessor, o presidente americano Donald Trump se afastou nesta terça-feira, 18, da promessa de campanha de suspender o acordo de restrição nuclear com o Irã, ao anunciar que manterá o tratado e o alívio das sanções previsto no pacto, ao menos por enquanto. A decisão positiva era amplamente esperada, já que Washington não quer se arriscar a dar as costas aos demais signatários.

Além disso, em junho, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - órgão da ONU que monitora a aplicação do "Joint Comprehensive Plan of Action" (JCPOA) - parabenizou o Irã pelo respeito aos compromissos adquiridos. Sob os termos do acordo, firmado há dois anos, Teerã reduziu a produção de material nuclear em troca da suspensão de diversas sanções econômicas.

Na segunda-feira, o governo Trump admitiu que Teerã "cumpre as condições" do texto. Desde que o pacto entrou em vigor, no dia 16 de janeiro de 2016, o Executivo americano deve "certificá-lo" a cada 90 dias no Congresso, ou seja, confirmar que Teerã respeita os termos estabelecidos. Na véspera, venceu mais um prazo imposto pelo Congresso ao Executivo para informar se o Irã deteve seu programa de armas nucleares.

O governo Trump "certificou" esse acordo pela primeira vez em abril. Em maio, o presidente republicano já havia dado continuidade à política de seu antecessor, Barack Obama, no que diz respeito à suspensão das sanções vinculadas ao programa nuclear. Na sequência, porém, o Executivo lançou uma revisão de seu posicionamento.

O texto foi firmado no dia 14 de julho de 2015, em Viena, pelo Irã e pelas principais potências mundiais (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha). O acordo foi visto em Washington como uma forma de evitar uma ação militar para impedir que o Irã obtivesse armas nucleares.

Não aliviou, porém, as tensões entre Teerã e Washington. Ambos continuam em lados opostos em conflitos no Oriente Médio, como na Síria e no Iêmen. Durante a campanha eleitoral, Trump denunciou o pacto nuclear e prometeu renegociá-lo, sendo mais duro com o Irã.

Sanções

Desde que assumiu o governo, Trump já declarou - em duas ocasiões - que o Irã cumpre o tratado, observando efetivamente o que foi acertado. A Casa Branca tem-se esforçado para deixar claro, contudo, que não será branda com o Irã, sugerindo que pode adotar novas sanções não relacionadas à questão nuclear, além de prometer uma aplicação mais estrita do acordo.

"Esperamos implementar novas sanções relacionadas ao programa de mísseis balísticos e de embarcações rápidas" do Irã, afirmou a Casa Branca. "O Irã permanece como uma das ameaças mais perigosas para os interesses dos EUA e para a estabilidade regional", acrescentou.

Entre as principais preocupações do governo figuram a melhoria das capacidades de mísseis do Irã, o apoio ao governo sírio, os abusos contra os direitos humanos e a detenção de americanos.

"O presidente e o secretário de Estado julgam que estas atividades iranianas minam gravemente a intenção (do acordo), que era contribuir para a paz e a segurança regional e internacional", declarou um funcionário. "Como resultado, o presidente, o secretário de Estado e toda administração avaliam que, indiscutivelmente, o Irã está em falta com o espírito" do acordo.

Para o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, que passou na segunda-feira pela sede da ONU em Nova York, o governo Trump envia sinais contraditórios" sobre a vontade dos EUA de respeitar esse acordo a longo prazo.

Nesta terça-feira, o Parlamento iraniano começou a estudar uma lei para reforçar o programa balístico e a Força Qods, dos Guardiães da Revolução, para lutar contra as ações "terroristas" de Washington. Trata-se das forças de elite do Exército encarregadas das operações no exterior, principalmente na Síria.

"A mensagem é clara e os americanos devem entender isso. O que estão fazendo se dirige contra o povo iraniano, e o Parlamento resistirá com todas as suas forças", garantiu o presidente da Assembleia, Ali Larijani. / AFP

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